quarta-feira, janeiro 16, 2008

Apresentando o Fi


Lu, esse é o Fi (Fi de Filippe). Impossível conhecer alguém mais meigo e mais maduro, mais passional e mais inteligente!
É uma mistura perfeita entre todos os opostos, um equilíbrio delicioso de se ver!
Amoroso até onde não cabe mais! Doce, com esses olhinhos azuis mais lindos desse mundo!
Inteligentésimo, que discute qualquer assunto e defende suas idéias com unhas e dentes!
Menino trabalhador, que surpreendeu a todos com sua imitação PERFEITA de Silvio Santos na festa de final de ano da empresa!
Sim, gente, além de tudo ele é engraçado!
É cabana ou hotel 5 estrelas? Tanto faz, ele está inteiro em todos os lugares, com sua alegria pueril e suas idéias de quem já viveu 100 anos (luz).
Melhor ouvinte, pra quem se pode falar qualquer coisa! Compreende as coisas sem qualquer preconceito e interpreta da forma mais linda possível!
Hoje, vejo a vida trazendo muitos presentes pra ele, todos mais que merecidos! Vejo ele feliz, pleno, entusiamado e tranquilo...O que mais posso querer?
Fi, eu te amo muito! Você é meu "anrrinho" mais querido!
"Ei, toma cuidado pra não bater a cabeça na borda da piscina, menino!"

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Instinto

Não sei se por conta dos hormônios, ou se por uma característica pessoal que jamais me abandonará, estou querendo ser mãe de filhos que não são meus (todos adultos, hein!).
Reclamo com o que está magro demais, e prometo fazer um bolo duplo de chocolate só pra ele!
Dou bronca no que bronca perto da borda da piscina, dizendo que pode bater a cabeça...
Encho o saco do que fuma maconha, descrevendo os milhares de prejuizos ao seu organismo.
Torro a paciência do que bebe demais, tentando fazê-lo entender que pode morrer ou matar alguém em um acidente de carro.
Tento abrir os olhos do cego que se deixa abusar pelos outros, tentanto enumerar suas qualidades e mostrar que nào há a necessidade de se submeter a tais coisas.
Puxo a orelha do que não se preserva ao transar, falando sobre HPV, AIDS e todas essas coisas fofas que se pode pegar.
Resumindo, eu sou uma chata!
A chatice é uma das poucas características ruins que me dá orgulho em mim mesma.
Por que?
Porque eu não me omito, porque eu prefiro brigar do que fingir que não vi, porque eu quero proteger, quero ajudar, quero previnir um mal que possa acontecer...
Infelizmente, mesmo na natureza, a mãe abandona a cria que sabe que não vai vingar...
Dói, dói imensamente, pois a sensação de perda se mistura com a de derrota!
Não dá pra acreditar no tempo perdido, não dá pra assisitir aquela criaturinha à merce da natureza selvagem...mas é isso que deve ser feito! Como sempre digo; deixar morrer o que tem que morrer.
Hoje, eu abandonei uma das minhas crias e confesso que está doendo muito!
Eu estou triste, mas sei que é isso que eu tinha que fazer!
Talvez nem devesse ter “adotado” at all, mas eu não pude resistir.
Dentro de mim, permanece a paz de ter tentado o quanto eu pude, ao lado das incertezas do que há por vir.
Que descanse em paz...
Será que eu estou errada? Será que dou a impressão de que quero ser superior? Será que o bem que quero fazer, acaba virando um mal?

Muitas perguntas, nenhuma resposta. Não aqui dentro!

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Saindo da toca

Estou quase pronta pra sair...
Mais uma semana ou duas!
Alguma das meninas de fora está aqui em SP? Lu? Anne? Angela?
Ti, Enrico está com saudades da Lu!
Flávio, depois da nossa última conversa, vc se tornou um pouco mais meu xodó, sabia?
Ernesto, pô cara, que saudades de você!
Walmir, boas lembranças ouvindo Gotan! ;-)
Udinha, fiquei sabendo que vc esteve na casa da Miss Polly! Ela te AMOU, como não poderia deixar de ser! Pena que vc não esqueceu nada aqui, pra ter desculpa pra pegar! hehe
Beijos a todos!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

LONG TIME NO SEE

Gente, eu sei!
Pensei mesmo em me despedir de todos e colocar um fim a esse blog.
Causas? As mais diversas possíveis, desde conflitos pessoas até a morte da minha querida linda amada Panda (dog) por um ataque de abelhas mutantes...
Não sei, as coisas perderam um pouco o sentido.
Contudo, estou bem, me preparando para uma nova fase.
Hoje, ainda tenho dificuldades em decidir qual o próximo passo, sendo assim não decido nada.
Isso ainda não é um adeus...
Saudades de vocês!

terça-feira, dezembro 04, 2007

Reciprocidade

Correspondência mútua.
Tem que ser quantitativa ou qualitativa?
Não sei! Mas sei que tem que existir, senão não há porquê!
Tem sido difícil escrever nesses tempos onde tudo o que me inspira pode atingir as pessoas, por isso o silêncio...Sem comentários em blogs, sem posts muito expressivos.
Mas dando início a uma nova fase, venho falar sobre o que tem me martelado: por que as relações apodrecem?
Ultimamente, tento fugir dos excessos, principalmente de intimidade, porém há pessoas que já fazem parte da sua vida e você não pode tratá-las como se as tivesse conhecido ontem!
Eu tenho o grande defeito de querer cuidar das pessoas, talvez por me achar esperta demais.
Como tudo é cíclico, vejo que essa é a atitude mais ingênua que eu posso ter.
Achar que a minha opinião é importante a ponto de mudar uma atitude de alguém é a maior prova de que eu não passo de uma sonhadora superficial.
Ora, mas eu gosto de falar e até faço escola com os meus neologismos pseudo-inteligentes, mas isso só me causa tristeza!
Por achar que estou segura sendo a "desbocada" me coloco em uma posição frágil, pois o que falo fica sendo mais importante do que o que eu sinto.
Esse meu "falo o que penso" é na verdade uma armadilha pra mim mesma!
Fazendo isso eu pareço uma fortaleza, que não se importa com o que os outros vão pensar, mas é justamente o contrário!

Isso sou eu mostrando pra o mundo que se as coisas não forem do jeito que eu acredito que devam ser, eu sofro!
É um aviso do meu limite, é um mapa do meu território é uma arma contra mim mesma que dou pra outra pessoa, que é inevitavelmente usada contra mim!
Com bons argumentos ainda: sou crítica, sou ciumenta, sou dura com as pessoas!
Hoje, eu percebi uma coisa, que me deixou mais triste ainda: eu não me importo mais...
Uma pena que as coisas tenha chegado a esse ponto, mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde chegariam (e talvez por isso tenha me debatido tanto). O que era intenso é agora opaco e sem sal...O que me fazia matutar durante as noites é a agora um pano de fundo desbotado nas minhas estórias...
É assim que as relações apodrecem: quando não há reciprocidade!
Ísso tudo é ainda triste, mas toda morte implica em um renascimento. Estou no aguardo!


quarta-feira, novembro 28, 2007

Sobre a minha felicidade

Inspirada pelo Flávio, que acha que me conheceu em uma fase complicada, resolvi escrever sobre a minha forma de ser feliz...
Lembram quando eu disse que eu era uma menina-velha?
Então, eu sou!
Por tantas coisas que eu já vivi (desde saber detalhes sórdidos da vida sentimental dos meus pais quando tinha 10 anos, passando por ver meu namorado ficar com a minha irmã e chegando na perda da minha vó querida) eu passei a ser mais séria com a vida!
E não consigo sorrir quando as coisas não estão dentro do que eu acho ser certo (entenda-se, pro bem geral da nação).
Preconceito?
Pode ser...Talvez eu chame de pós conceito, porque geralmente, quando eu conheço as pessoas eu sou aberta... Aí quando vejo que tem algo que eu já experimentei não ser bom, eu fico mais fechada.
É isso!
Mas não que eu não seja feliz! Ao contrário, eu vivo rindo e fazendo piadas (muitas delas infâmes, viu?)
Flávio, depois vc me dá seu e-mail que eu te falo porque vc não é o meu "xodó"( hahahahaha eu achei ótimo isso)
Ah, e vcs que pediram pra eu escrever besteira! Taí! Um besteirol desenfreado!

terça-feira, novembro 27, 2007

Orgulho!

Quando se ama alguém a felicidade da pessoa é a nossa felicidade!
Hoje senti como vale a pena entregar-se a uma amizade sincera e como essas pessoas se tornam parte da família!
Tenho a sorte de ter muitas pessoas assim na minha vida!
Mas hoje o destaque vai pra Miss Polly, que acabou te me dar a melhor notícia que eu poderia receber.
Resumindo: ela plantou muitas boas sementes e agora está colhendo flores perfumadas!
Querida, parabéns pelas suas conquistas!
Me sinto MUITO orgulhosa em ser sua amiga!
Você é daquelas que faz a diferença no mundo e na vida dos que estão à sua volta.
Obrigada por tudo, por todas as palavras e principalmente por estar do meu lado!
Eu amo você!
;-)

segunda-feira, novembro 26, 2007

Pra me mover tem que valer a pena...

Por isso fiquei tanto tempo sem escrever!
Alguns sentiram falta o que me foi um grande elogio! ;-)
Estava pensando no respeito que tenho por todos que lêem esse blog e no quanto isso me faz pensar antes de escrever.
(Não quero que leiam qualquer besteira que me dê na veneta).
Anfibia= estou sem a menor critividade.
Como comentei com o Ernesto, estou entre ciclos e as coisas estão mudando. Umas perdem valor, outras ganham...
Beijos a todos!
Aguardando um Genial...

segunda-feira, outubro 22, 2007

Delicia 2











Para que fique registrado que é sempre uma delícia ter vocês aqui!




Os que não estiveram fizeram falta...DE NOVO! ;-)

quinta-feira, outubro 18, 2007

Aperta o pause...

Gente, meu filho doente está consumindo todos os meus neurônios...
Estou ausente de mim mesma! Apareço offline diante do espelho!
Beijos e saudades de todos!
Até sexta!

;-)

quinta-feira, outubro 11, 2007

Wait and see what will soon become of me...

Everythings different
With my head in the clouds
I hit this corner
With my foot on the gas
I started sliding, I lose it
Everything's different just like that

quarta-feira, outubro 10, 2007

Dave Mathews & Tim Reynolds

Procurem no Youtube.
Sério!
Vale muito a pena.
Dica de música: "So damn lucky"
Eu AAAAAAAAAAAAMO!

segunda-feira, outubro 08, 2007

Delícia!

foto_mal_tirada.jpg

Nem todos estavam presentes, mas as ausências preencheram um espaço grande!

Angela, Lu, Anne, Walmir, Ortega e Jorge: VENHAM!

Ti: estou apaixonada pela Luiza...E cada dia mais, acho um prazer estar na sua companhia!

Flavio: desculpe o meu jeito tenso.

Ernesto: que delícia te ter aqui!

Udinha: você é das minhas, gata! Adoro ter vc por perto!

Gata: capotou, né?

BEEEEEEEEEEEEIJOS!


sexta-feira, outubro 05, 2007

Anfibia- Parte 5

Parte 1- Loba domesticada
Parte 2- A caça
Parte 3- Caixa de veludo
Parte 4- Caleidoscópio

Alabastro

- Quanto te devo?

- É trinta e dois...

- Tem troco? – perguntou Jamile, mostrando uma nota de cem reais.

- Ei, moça...Tá difícil, é que hoje o movimento não foi bom.

- Cobre cinqüenta e fique com o resto.

O taxista sorriu, um tanto surpreso com a generosidade da moça.

Jamile estava ansiosa para apanhar a caixa na portaria e mal deu ouvidos ao falatório do zelador, que tentava ser simpático.

O veludo vermelho carregava consigo uma imagem dolorosamente nostálgica, pois era sobra do tecido usado na confecção do vestido preferido de sua mãe.

O vestido tinha sido encomendado para a sua festa de trinta anos e Jamile ainda lembrava os dizeres do convite:

“Samira Obeid Cury convida você e sua família para um jantar de gala em comemoração ao seu aniversário

Samira era uma mulher solitária, aprisionada pelas imposições ciumentas do marido quatorze anos mais velho. Contudo, pelo menos uma vez por ano, a casa se via enfeitada e opulenta. Todas as luzes eram acesas e a prataria era posta à mesa, ostentando parte da fortuna da família.

Havia muita gente que Jamile mal conhecia. Os homens eram altíssimos, com seus narizes vultuosos e quase sempre calvos. As mulheres mais velhas espremiam-se nos muitos sofás da casa enquanto as mais jovens dançavam e gritavam ao som dos derbakkis. As crianças corriam de um lado para o outro, mas Jamile ficava escondida embaixo da escada de mármore e nem mesmo os apelos de Ana faziam–na sair pra brincar.

- Vá, Branquinha, vá com os outros. Olha seu primo Amin! Depois só vai ver o ano que vem...-argumentava Ana.

Era justamente por isso que Jamile se escondia. Numa das festas anteriores, tinha se esbaldado de brincar com Amin e seu irmão mais velho. A esperteza dos meninos era fascinante e despertou em Jamile a vontade de tê-los sempre por perto, mas por mais que pedisse isso à mãe a resposta era sempre a mesma.

-Não, ainy, não pode! Ele não permite visitas, você sabe. Espera até o ano que vem, no aniversario da omy! Eu prometo que convido os dois.

Um ano naquela época era um tempo incomensurável e aos poucos, Jamile deixou que o vazio tomasse conta da saudade que tinha dos primos.

O elevador novamente interrompeu as lembranças da moça e por uma graça do destino estava vazio desta vez.

Revirou a bolsa a procura das chaves e deixou cair o papel onde Adric havia anotado o telefone da empresa de entregas. Sorriu ao recordar a imagem do rapaz empenhado em ajudá-la com a confusão; há tempos não ficava tão próxima de um homem como tinha estado durante as últimas horas.

Jamile estava intrigada com sua atitude cerimoniosa, com o cuidado em manter uma distância mesmo estando perto, com a delicadeza do falar apesar da concupiscência do olhar.

Sentiu como se ambos estivessem em um lugar que somente eles conheciam. Onde as regras não precisavam ser ditas para serem respeitadas. Como se somente ele pudesse ter a noção do que isso significava para ela e por isso não tentou tocá-la, nem lhe fez perguntas demais.

Lembrou do olhar profundamente triste ao falar de Elisabeta e de certa forma, orgulhou-se por também não ter feito perguntas demais.

Abriu a porta de casa, soltou a bolsa e o casado respingado de sangue e jogou-se no sofá com a caixa de veludo na mão.

-Shukrán, omy! Aná uhbbuhá!- disse como que agradecendo à mãe o presente recebido – Obrigada, omy! Eu amei!

Dentro da caixa estava a chave que resolveria grande parte dos problemas iniciados naquela manhã.

Já estava entregue a um cansaço hipnótico, mas sabia que ia acordar no meio da noite e podia imaginar qual o grau da tortura que sua mente iria impor ao seu corpo madrugada afora.

-Velho desgraçado!- gritou, esmurrando a mesa de centro.

A cena ainda era clara como se estivesse acontecendo ali, diante de seus olhos.

Sua mãe estendida no chão. O líquido vermelho avançava para as ranhuras do piso como se o vestido de veludo estivesse desbotando e tingindo o assoalho. A pele estava mais branca do que nunca, assemelhando-se a uma antiga estátua de alabastro. Os olhos fechados, a boca entreaberta. As mãos imóveis; um dos pés ainda calçava o sapato de salto fino. Jamile se aproximou. Viu o punhal cravado no peito. Tentou puxar. Nada.

-Omy? Omy?!

A mãe não reagia. Ela puxou o punhal com mais força até finalmente arrancá-lo. A mãe continuava inerte.

Olhou para trás e viu que ele tentava se esconder atrás da cortina, denunciando sua culpa como qualquer moleque débil faria.

O velho parecia temer o olhar fixo de Jamile e num desatino, correu com as mãos em direção ao seu pescoço infantil.

-Pare, senhor! Pare! Ela é só uma criança! Nem vai lembrar do que aconteceu! – suplicou Ana, escondendo a menina atrás de seu corpanzil.

Com seis anos de idade, Jamile sentiu a fragilidade da vida e desejou ter morrido no lugar da mãe.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Anfíbia - Parte 3

Parte 3 - Caixa de Veludo



Jamile, ainda confusa, aceitou que Adric a levasse até a delegacia mais próxima, querendo ver-se livre do novo distúrbio rapidamente.

O rapaz costumava racionalmente decidir a sequência dos eventos em que se envolvia, e, pela primeira vez, o acaso tirou-lhe a vontade de intervir ou planejar. Havia algo familiar naquela cena surreal, como se fosse um daqueles sonhos sem nexo, cuja explicação revela-se no final. Ainda assim, precisava de uma metáfora que lhe fizesse sentido e riu-se ao associar tudo ao jogo de video-game que jogava com a menina todas as noites. Preciso passar para a próxima fase- pensou.

- Você tem certeza de que está bem?- disse, tentando firmar conversa com a moça.

- Tenho.- disse Jamile mordendo os dedos.

- Já está tremendo menos, não?

- Um pouco. Não me incomodo com isso. Sei que passa logo.

- Você pode usar o meu telefone se quiser...

Jamile soltou um riso tímido com um tom de escárnio quase imperceptível.

Adric pode ver que ela enxugava uma lágrima com a manga do casaco.

- Ei, o seu casaco está sujo de sangue. Não quer usar o meu?

- Porque?- perguntou ela olhando para os sapatos sujos de terra- Porque vc está fazendo tudo isso?

Adric teve o impulso de dar uma daquelas respostas padrão para se levar uma mulher para a cama, mas algo o impediu. Estava surpreso por não conseguir lançar mão de sua racionalidade na presença dela.

- Não sei, acho que estou curioso pra saber como isso vai terminar.

Sentiu seu rosto ferver. Não estava acostumado a falar a verdade sobre seus sentimentos.

Felizmente a delegacia estava a menos de uma quadra e ele poderia disfarçar seu desconcerto, procurando uma vaga para estacionar o carro.

Ao perceber onde estavam, Jamile agitou-se e com certa dificuldade, soltou o cinto de segurança. Avessa às gentilezas masculinas, tratou de sair do veículo antes que Adric pudesse tentar abrir a porta para ela.

Atravessou a rua na frente, aproveitando uma brecha no trânsito infernal da Vila Madalena. Sentia o olhar dele penetrando-lhe a nuca, sendo tomada por um arrepio aflitivo e um inegável contentamento. Olhou por cima do ombro e como o rapaz já estava próximo, concluiu que poderia prosseguir.

Parecia querer esconder sua inquietação e ao entrar no prédio, Jamile revelou-se familiarizada demais com o ambiente. Olhou no relógio da parede e soltou um suspiro de alívio. Perguntou ao policial:

- Moço, sabe me dizer quem é o delegado de plantão?

- É o dotô Cury.- disse ele

- Como assim? Ainda é cedo pra ele...- interrompeu o que ia dizer ao avistar no fundo da sala um homem alto e grisalho, de sobrancelhas grossas.

A voz grave e a passada firme fizeram com que a dor de cabeça golpeasse Jamile com força. Seu coração estava arrítmico e suas pernas começavam a perder a força.

Voltou-se para Adric, mais pálida do que o normal e com os olhos assustados suplicou:

- Me leva embora daqui! Por favor, me ajuda a sair daqui!

Ofegante, deixou que ele a segurasse, quase como se fosse erguê-la do chão. Ele tentava afastar qualquer pensamento lascivo, porém não podia ignorar que os “bicos petulantes” estavam espetando-lhe o tórax. Sua boca arfante parecia ainda mais convidativa e aguçou-lhe a imaginação.

- Me leva!

- Para onde?

- Pra qualquer lugar.

De volta no carro e ainda perturbado pelos apelos travessos de sua mente, Adric rapidamente deu a partida enquanto Jamile chorava e agitadamente roía as unhas, descascando o esmalte vermelho escuro.

- Me desculpe- disse ela- Desculpe por ter cruzado o seu caminho. Eu carrego o caos no bolso! Estrago tudo!

- Ora, não foi bem o meu caminho que vc cruzou, não é? – disse sorrindo, referindo-se ao furgão do acidente. Refreou o impulso de questionar a razão da fuga desesperada.

- Viu? Estraguei o dia de duas pessoas em menos de meia hora! Que merda!

Adric observou que o palavrão não combinava com sua delicadeza, mas achou interessante a forma como ela estava se abrindo.

- Preciso pagar o estrago que fiz no carro dele! Pior que nem sei como encontrar esse homem!

- O carro era de uma empresa de entregas que eu conheço. Posso te ajudar a achar o telefone.

Sem responder, Jamile pegou o celular e aflita apertou uma tecla de discagem rápida. Adric estranhou que a moça tivesse um Blackberry, pois a julgar pelas roupas que usava e por seu Celta modelo antigo, não parecia adinheirada.

-Alô, Ana? Ana, preciso de um favor teu!...Não...Ana, para de falar e me escuta! Eu preciso que você deixe aquela caixa de veludo na minha portaria...Hoje!...Eu sei, mas agora não posso conversar. Depois eu te ligo de volta...Tá...Tchau.

Adric já havia dado algumas voltas sem saber qual rumo tomar e perguntou:

- Quer que eu te deixe em casa?

- Não, não posso ir pra casa agora, me deixa em qualquer lugar e eu me viro...

- Olha, eu tenho que passar no meu apartamento pra deixar minha mala, você quer vir comigo? É entrar e sair. Depois eu te deixo onde você quiser.

- Olha, eu mal sei o seu nome, não acho que eu deva ir com você, além do mais eu...

Parou, interrompida pelo rapaz que disse:

- Adric, Jamile...Meu nome é Adric. Agora que você já sabe, o que me diz?

- Só se você tiver um café bem forte e uma dose de Jack!- riu, como se nada ruim tivesse ocorrido até ali e quase feliz por seu nome ter sido lembrado por ele.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Espiral - a vida infinita

Vem cá, vem pular corda comigo
Não posso, eu estou de castigo
Mas foge, a gente inventa um jeito
Não dá, melhor me comportar direito

Já sei, vamos fazer "pique-nique"?
Sem chance, eles precisam que eu fique
Que chata! Então, brincar de balanço?
Vai indo na frente que eu te alcanço

Mentira, vc só diz e não vem
Já disse, eu juro que vou também
Promete? Posso ficar te esperando?
Pode, mas vá correndo que eu vou andando

Duvido. Você não brinca mais de verdade
Menina, eu cresci, já tenho o triplo da sua idade
Que pena, você parecia ser muito divertida
Você diz isso, porque não sabe nada da vida!

terça-feira, setembro 25, 2007

Anfibia (de Juliana Machado e Ernesto Dias Jr.)


Parte 1- Loba Domesticada

Já era hora de sair e Jamile não tinha vontade de levantar da cama. O despertador berrava sem parar e costumeira dor de cabeça já dava sinais de alerta.

Pensou em ligar pro trabalho e dizer que estava doente, mas já havia feito isso na semana anterior.

- Maldita vértebra virada!- exclamou, referindo-se à dor provocada pelo problema de nascença na cervical.

Minutos mais tarde, estava esperando o elevador. A maquiagem da noite anterior denunciava que, mais uma vez, ela tinha passado dos próprios limites.

Escutou a vizinha do quinto andar ralhando com a filha pequena. Os gritos apressados subiam os dois andares da escada de serviço sem dificuldade.

Sentiu pena da menina, tão pequena e já cheia de “tens que fazer isso, tens que fazer aquilo”.

- Pra quê? Pra depois crescer e ficar que nem eu?- pensou.

Ouviu o elevador chegando e desejou fortemente que ele estivesse vazio. Cruzou os dedos e franziu a testa.

Checou se a manga da camisa estava cobrindo as cicatrizes do seu braço.

Colocou um chiclete na boca na tentativa de disfarçar o mau hálito causado pela bebedeira madrugada adentro.

A porta do elevador se abriu. Lá estava a vizinha do quinto andar com a filha, que ainda limpava as lágrimas dos olhinhos miúdos.

Jamile não pode evitar olhá-la com reprovação, não apenas pela gritaria matinal, mas por ter apanhado o elevador que subia, provando ainda mais a sua ansiedade.

Sabia em qual andar estava pelo cheiro único que os apartamentos exalavam. Sorriu ao passar pelo primeiro, lembrando-se do seu amorzinho de infância, com quem trocou seu primeiro beijo.

Finalmente chegaram do segundo subsolo e o ar da garagem fez com que Jamile mascasse o chiclete com mais força. Sentia uma mistura de gosto e aversão àquele odor.

A garagem do prédio era um lugar especial, pois ao invés de paredes fechadas, tinha um guarda corpo que permitia ao vento circular livremente e a vista não poderia ser melhor.

O dia estava cinzento, mas ao entrar no carro, Jamile reparou nas árvores balançando. Gostava de ligar o rádio e coordenar o movimento das folhas com o ritmo da canção que tocava. Sua estação preferida para este momento era a de música clássica.

Sentiu-se rídicula por ter essa estação programada na memória do rádio; era como se quisesse “dar uma de” culta. Jamile odiava perceber-se tentando ser o que no fundo sabia que não era.

Quando passou pelo trilho da porta da garagem, com a boca imitou o barulho que as rodas faziam ao tocar o metal. Primeiro as da frente e depois as de trás.

Era um ritual, sem o qual não poderia começar seu dia.

No primeiro farol, parou atrás de uma SUV com os vidros escuros e sentiu seu estômago contrair-se pela impossibilidade de ver o que havia mais a frente.

A posição dos braços no volante revelava as cicatrizes e lhe trazia a lembrança pontiaguda daquele noite.

-Aargh! – disse sacudindo a cabeça.

Naquela época, Jamile desejava dormir e nunca mais acordar.

Ao deitar-se na cama, tinha vontade de bater a testa na parede até que sua cabeça se quebrasse como um ovo. Tinha a sensação de que se a gema saísse, ela teria paz finalmente.

Numa dessas noites, abriu uma garrafa de vinho ruim e começou a beber no gargalo. Não que ela não tivesse taças, mas gostava da coisa mais tosca .

Acendeu apenas a luz do corredor e sentou-se na frente do espelho do armário.

Tirou toda a roupa e começou a olhar seus contornos. Gostava do que via. Tinha um cintura fina e um quadril largo. Encheu a boca de vinho e deixou escorrer um pouco pelo pescoço, como se fosse sangue.

Jamile tinha fascinação por estórias de vampiros desde criança. Achava linda a imagem do líquido vermelho em contraste com sua pele branca.

A pouca iluminação mais a embriaguez provocavam distorções na imagem que via no espelho.

Já anestesiada, apanhou um estilete, quebrou a ponta cega e começou a arranhar o braço esquerdo. O sangue custava a sair e ela forçou a lâmina mais fundo na carne. A dor não foi maior que o contentamento de ver o vermelho profundo jorrando para fora da pele.

- “Só sentirei que estou viva, quando estiver morrendo” – concluiu engantando a primeira marcha.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Filhinha do papai, after all...

A Érica postou lá no "shee" que queria que fizessem uma música pra ela.
Compartilho com vc a letra da que o meu pai fez pra mim quando eu estava na barriga da minha mãe. Abaixo o "Ctrl C, Ctrl V" do email que ele me mandou (for the record, Nathu é a minha irmã mais nova):

Filhinha
Que bom que você ligou !.Acho que você está com a premonição do papai...ÊTA !
Aí vai a letra da sua canção. Demorei muitos anos para fazer uma canção para a Nathú, mas a sua estava pronta bem antes de você aparecer e alegrar a minha vida (e de tantas outras pessoas)

Paizão Ruizão


Tema (ou não tema) de Juliana

Juliana...
Há quanto tempo espero /pelo seu chegar
Há quanto tempo eu sonho/com o seu olhar
São noites de magia
São sonhos,fantasias
P’rá lhe esperar

Juliana...
Um sonho de criança/que me apareceu
Pedaço de esperança/que me fez mais eu
Eu canto noite e dia
De tanta alegria
Que você,me deu

Jú,Jú,Jú ,Jú.Jú.....
Juliana (aquele refrãozinho básico)

Bem maior,
Muito mais profundo,
Que o amor que existe no mundo
É o meu amor
É o meu amor
Por você....

Jú,Jú,Jú ,Jú.Jú.....
Juliana (aquele refrãozinho básico)

A vida toda eu vou lhe amar...
Juliana...
Mais do que tudo/eu vou lhe amar
Juliana....(com ah ah ah e tudo)

Um sonho de criança/que me apareceu
Pedaço de esperança/que me fez mais eu
Eu canto noite e dia
De tanta alegria
Que você...me deu....
(refrãozinho básico.../solo “blues” etcteretal)

sexta-feira, setembro 21, 2007

IRA



Apaga o tempo pra mim
Aniquila a história
Salga o passado
Dilacera a lembrança

Impede a descoberta
Barra a investigação
Incendeia as gavetas
Entope os acessos

Flagela a vontade
Decapita a necessidade
Esteriliza a
curiosidade
Interrompe a possibilidade

Contorce as borboletas
Limita os gafanhotos
Enterra as minhocas
Estrangula os ventos

As minhas mãos tremem
Os meus olhos se apertam
Minha boca se morde
Meu coração acelera

É o sangue que se aproxima
É o ódio de não estar fecundada
É a saudade do que não existe
É a revolta do que não será



segunda-feira, setembro 17, 2007

Cabresto


Segunda-feira pontiaguda, que chega sem piedade e me demole a vontade.
Boa constrictor de ferro, que me quebra os pilares do ânimo e me contorce os caminhos de ida.
Seu veneno carrega as obrigações de fazer o que não quero e a impossibilidade de obedecer aos meu impulsos.
Em você sou cavalo encilhado, galopo miúdo a golpes de relho.

Eu, que estava prestes a romper o casulo e voar lindamente, agora tenho que ser e estar pre-maturamente.

Visto agora uma capa, uma máscara e subo no palco gasto da minha rotina.
Deixo de lado a minha canastra mágica, de retalhos e sonhos, de palavras e brilhos.
Abandono a dancinha das fadas, a amarelinha das joaninhas e entro no mundo das pedras e muros. Dispenso o meu tear de luzes e apanho a marreta pesada do comprometimento inconsciente. Dispo-me do vestido de flores sulferino e me visto com o uniforme batido, que já possui o contorno esperado.
O trotar descompromissado é substituído pela marcha compassada e metronômica.
O riso não é mais solto.
Os cabelos não são mais soltos.

Mais uma semana começa.
Menos uma semana começa.

:-(

domingo, setembro 16, 2007

Passarinho na gaiola


O Toni é meu canario.
Nasceu cativo, filho de um casalzinho que pertencia à bisavó do Enrico.

Está em casa desde 2003 e todos os dias em que eu olho pra ele, me parte o coração.
Hoje de manhã eu decidi soltá-lo. Pensei em pegar o corpinho na mão e reproduzir uma das clássicas cenas: levá-lo ao ar e soltar (a câmera focaliza o meu sorriso e depois a silhueta livre contra a luz do sol).
Não foi bem assim! Pensei que se eu fizesse isso, ele poderia se esborrachar no chão, ou ainda morrer de ataque cardíaco (tadinho). Além do que, ouvi dizer que se vc deixa a gaiola aberta ele consegue voltar pra comer.
Pensei que se a decisão de sair fosse dele, ele poderia calcular o caminho de volta caso tivesse fome ou sede.
Abri a portinha...
Fiquei olhando...
Vi o seu peitinho amarelo- ele estava tentando tomar banho no bebedor.
Eu estava comendo uma bolacha e coloquei perto dele. Ele veio comer na minha mão, abrindo as asinhas como o filhote faz com a mãe. Quase chorei!
Quando eu percebi, eu estava me despedindo dele, me preparando pra não vê-lo nunca mais.
Me deu medo de surtar de saudade, de me arrepender da decisão de deixá-lo ir embora.
Pensei em desistir, mas mantive a portinha aberta.
Tentei me convencer que seria melhor que ele morresse livre do que passasse a vida num cubículo sem nem conhecer a sensação de voar.
"Um passarinho que nunca voôu"- pensei- e essa frase resumiu tantas coisas que poderiam ser ditas por horas.
Me afastei e me escondi.
Continuei olhando e ele não saiu.
No fundo, eu queria que ele não saisse, queria que ele ficasse lá por escolha.
Mas ele não tem escolha, porque não sabe que existe um outro mundo além da gaiola. Não pode escolher porque não conhece suas opções. Não sabe nem que existem opções para ele.
Eu tinha que sair.
Olhei pra gaiola e me vi em um daqueles momentos infinitos: deixo aberta e terei uma linda história pra contar por mundo? Juro que me senti tentada a fazê-lo, mas no fim, escutei o motor do carro ligado, pronto pra partir.
Baixei a portinha da gaiola e fui embora.
E essa história não ficou tão interessante quanto poderia.
:-(

terça-feira, setembro 11, 2007

Invasão da bolha cinestésica


Conheço uma menina que está sempre de bom humor. Segunda feira, depois de feriado, eu faço de tudo pra me esconder e não ter que falar "bom diaaaa", mas a pessoa está lá sorrindo com 108 dentes expostos: "Oiiiiê!" Mano! Acho dificil dar aquele sorriso protocolado! Outra coisa: pra que eu permita que uma pessoa chegue perto de mim EU tenho que fazer o movimento de IDA. Só alguns têm passe livre na MINHA circunferência espacial (cujo diâmetro e igual ao comprimento do meus braços abertos).
Eu sei, sounds like I'm a bitch, mas não é bem assim!
Aqueles que são "de casa" sabem que eu economizo abraços pra distribuir em dobro pras pessoas que eu amo.
Eu sou casca dura, mas no fundo sou "pudim desmaiado".
A pessoa só tem que me esperar chegar!
:-)

quinta-feira, setembro 06, 2007

Numb

Fútil


Há 15 anos, ele era o cara!
Pitizudo, ruivo e recessivo!
Bad teeth, but great voice!
Hoje eu senti um ímpeto de quebrar um telefone de neon na cabeça da minha aluna de 7 anos!

Ai, lembrei do Axl!
Com sua bermudinha agarrada e as coxas brancas com joelho de Jesus Cristo.

(Sorry, Jesus... É que eu me amarro em um "érrezinho érrezinho")

Axl é o Jesus do espelho...

DROPS:

Desconstrução: da realidade conhecida

Pergunta: o que eu estou fazendo aqui?

Desejo: gelo na garganta!
Wishlist: uma bola de gladiador e um tampão de ouvido (hermético) - ah, make it two!
Adereço: um chicote (não o Chico, meu gato, o chicote mesmo)

Nos pés: sapatos de bobona de instituição

Nas mãos: papel higiênico molhado pra jogar no teto

Nos cabelos: uma borboleta azul holográfica

Nas orelhas: conchas do mar (com bicho dentro)

Perfume: carbureteira de caverna
Gosto: Eno

Som: alarme de bateria acabando

Música: Lithium - Nirvana Vestimenta: bagism
Cabelos: molhados e até o pé

Eu sei, isso não faz sentido, mas o quebra-cabeça aqui tá misturado com o de lá!

I like it - I'm not gonna crack
I miss you - I'm not gonna crack

I love you - I'm not gonna crack

I killed you - I'm not gonna crack

Trabalho






Queria que o que eu sou me levasse ao lugar onde eu tenho que estar!
Não estou feliz onde estou!
Quero MAIS!
Quero MUITO mais!

terça-feira, setembro 04, 2007

Teoria dos espaçadores


Então...
O meio termo é sempre a resposta mais aconselhada. Fazer um mix do que é "branco" e do que é "preto" e obter um cinza homogêneo. É o ideal, é até um pouco behaviorista, pensar em um sorriso sereno, entre um choro bizarro e uma gargalhada atômica.
Entrelaçar razão e emoção: brilliant!
Quando a coisa é séria e há outras pessoas envolvidas, é mais fácil se comprometer e apregoar o alinhavo de opostos.
PORÉM, no subsolo do nosso ser, onde estamos teoricamente sós, mas acompanhados de nossas paranóias e paradigmas, a coisa é BEM diferente.
E foi assim que nasceu a minha mais nova teoria: A TEORIA DOS ESPAÇADORES.
Eu PENSO muito mais do que SINTO.
Pra mim o sentir é uma coisa perigosa (alguma crença validada não sei quando, por não sei quem)
Quando um sentimento se aproxima, passo um anti virus, um scan disk, desinfeto e vejo o que sobra.
Geralmente, o que resta é uma coisa que eu posso dominar, prever, catalogar e guardar em lugar seco e fora de luminosidade.
Eu preciso ter um afastamento do turbilhão pra poder raciocinar a respeito.
E AÍ É QUE COMEÇA A ARMADILHA.
De que forma vou manter essa distância? Qual a estrutura que vai manter o teto longe do chão?
São os pequenos pilarzinhos de metal!
É a cama de faquir que não me deixa relaxar!!
São os ESPAÇADORES dos meus mundos contraditórios.
CIÚME/ PRE-CONCEITO/ RANCOR/ ARROGÂNCIA (e todas essas ramificações daninhas do medo)
E assim, cultivando essas sensações repugnantes eu me mantenho "a salvo" do sentir.
E podem acreditar que eu não tenho NENHUM orgulho disso.
:-(

segunda-feira, setembro 03, 2007

Ziraldo


Carinha batuta esse!
Meu filho participou de uma homenagem pra ele na escola! Coisa fofa! Os dois!


"Um dia eu abri a porta do banheiro e encontrei um cara fazendo a barba. Fechei a porta e perguntei pra minha mulher quem era aquele homem. Ela me disse que era o meu filho! Ele já estava fazendo a barba e eu nem tinha percebido que ele cresceu.

Quer ver seus filhos crescerem? Leia com eles e isso se tornará um momento único dentro de cada época. Vocês vão lembrar das historias e isso será assunto por muito tempo."

Ziraldo

Homens cavalheiros

Alguns acontecimentos me fizeram pensar na maravilha que é um homem cavalheiro.
Não aquele cavalheiro planejado, que abre a porta do carro pra depois abrir o zíper, mas aquele homem que quer te fazer feliz, ou mesmo alegre naquele instante.
Que se importa com o seu bem-estar e que se deixa levar pela fascinação que tem por você.
Aquele que abre, sim, a porta do carro, mas pelo prazer de te ver passando por ele, pela vontade de ser gentil e sem outro interesse além de fazer com que vc se sinta especial.
Ponto pra eles, pois não há nada pior pra uma mulher do que se sentir um pedaço de carne.

quinta-feira, agosto 30, 2007

segunda-feira, agosto 27, 2007

TER


Hoje, tenho muitas coisas que eu sempre quis. No entanto, não vivo em êxtase como achei que ia viver. A minha "wishlist" tem vários itens checados, porém a sensação não é correspondente com a expectativa que criei.
Então:
SERIA EU UMA PESSOA MAL AGRADECIDA QUE NÃO DÁ VALOR PRA O QUE TEM? TERIA EU ALGUM PROBLEMA EM DESFRUTAR DO PRAZER DE TER, POR MEDO DE PERDER E SOFRER?
Essas eram as perguntas que martelavam o meu cabeção (cabeção de Sandy).
Eram, porque eu desenvolvi uma teoria a respeito. Vejam se faz sentido:
A diferença que faz vc TER alguma coisa é simplesmente NÃO QUERER MAIS TÊ-LA (porque já tem).
Não há mais a necessidade de almejar, de conquistar e assim, é uma "preocupação" a menos. É menos uma "necessidade de".
Só que isso não tem nada de glamuroso, ao contrário, só torna as coisas mais calmas, mais monótonas talvez.
E mais uma vez me vem: ENJOY THE RIDE!

quinta-feira, agosto 23, 2007

"If you do what you've always done, you're gonna get what you've always got"
(não sei o autor, mas faz sentido até...)

Curiosidade


Olho e sei que está lá.
Ignorar? Impossível.
Portas fechadas são o meu objeto de cobiça!
Gavetas trancadas e cadeados são meus fetiches...
Segredos bem escondidos dos outros me fazem conviver melhor com o cemitério de sentimentos dentro de mim.
Atos, palavras e pensamentos não ditos, pelo menos não mais de uma vez.
Fale baixinho, que eu aprenderei a ler seus lábios.
Interrompa as palavras, que eu aprenderei a ler sua mente.
Eu posso prever seus movimentos de fuga, porque conheço todos os que existem.
Te desvendar é questão de tempo.
Uma piscada, um vibrato na voz, um tamborilar de dedos e pronto: já sei onde vc quer chegar.
Um movimento, um olhar, uma gota de suor e "that's it": já sei do que vc quer fugir.
Não que me julgue esperta...Apenas sei que ninguém melhor que o pintor pra reconhecer as verdadeiras cores de alguém.
(lavando o pincel e tentando me conformar com a tinta que não sai)

terça-feira, agosto 21, 2007

Olhinhos "cilhudos"



Lady é uma cachorinha linda! A justificativa para o nome - a príncipio nada criativo- está no olhar da bichinha que é idêntico ao da original.
Lady é fiel, amiga, carinhosa e linda. Tem as orelhinhas compridas e o pelo mais macio do universo. Tem gente que até pergunta qual o pet shop que ela frequenta, sem saber que ela é assim por natureza mesmo.
Ela adora dormir quentinha no meio das cobertas dos outros e tem uma queda por cães vira-lata (outra semelhança indiscutível com sua homônima).
Outro dia, Lady estava especialmente triste porque o cachorro da vizinha tinha rasgado sua caminha e ela não a reconhecia mais como sua.
Logo em seguida, escutou o barulho do caminhão do gás e correu pra frente da casa, como se estivesse sorrindo.
Apesar de ser um cão com pedigree, Lady parece ter uma predileção por tudo o que está fora de seu mundo "cor-de-rosa". Talvez o mundo perfeito de coleiras de strass e banhos semanais não seja o que ela considera ideal.
Ela gosta de abanar o rabo pra todo mundo, mesmo para os que não são muito "fãs" de caninos.
Detesta brigas e quando se sente ameaçada corre pra debaixo do sofá e chora. O pior é que não é de medo, não...É por que ela é do bem e não sabe lidar como "mau" nos outros.
Ela não consegue ter raiva nem do pastor alemão que mordeu seu focinho através da grade do portão.
Há alguns dias que Lady está diferente. Não sei se pela casinha destroçada ou pela vontade que tem de brincar na rua.
Sei que abrir o portão é arriscado, pois ela, apesar de esperta, é muito inocente e seria capaz de fazer festa pra roda da frente de um carro em alta velocidade.
Por outro lado, temo que deixá-la presa vá contra todas as suas expectativas e ela acabe por não achar mais graça nem nos biscoitinhos de final de semana.
Enquanto isso, eu fico aqui observando. Se ela quiser um carinho sabe onde procurar.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Paranóia



Ontem vi "Número 23".
Não sei o que acho pior: o filme ou as pessoas terem gostado do filme...Enfim!
Uma série de trocadilhos hollywoodianos manjados as hell!
"Oh, vc reparou naquela hora que a cor da cueca dele era vermelha?????"
Me poupe!
Ainda assim, tiro o chapéu para o tema do filme, que é a única coisa que vale discutir.
Eu mesma já tive paranóia com números e acho que isso é coisa de mentes ociosas tentando se exercitar.
Já tive certeza que a minha mãe ia morrer aos 33 anos, devido à sua extrema bondade! Depois vi que talvez ela pudesse viver até os 666 anos.
Já me obriguei a contar as "tartarugas" da rua, os centímetros do fio de cabelo que tinha caído e os passos do quarto até a sala.
(Lembra, eu sou a louca que come sucrilhos...)
Hoje isso tem nome chique: TOC.
Antes eu achava que eu era a única pessoa perturbada na face da Terra. Olhava as minhas amiguinhas tão inocentes brincando de shortinho e eu com vergonha de mostrar as minhas perninhas empipocadas de alergia.
Alergia de mim mesma. MESMO. Todo o lugar onde eu me encostava, ficava vermelho e coçava como se eu pudesse rasgar o casulo e sair voando.
Eu era uma larvinha, branquinha, fraquinha.
Se hoje sou borboleta? Acho que sim, mas ainda tenho as marcas da passagem.



quarta-feira, agosto 15, 2007

Tem como não querer MORDER????

"cã vaca e eveready"

" alcaçuz e sorvete de flocos"





Fruit de la passion


De longe, eu te olhava há tempos.

Já havia decorado os seus contornos, as nuances dos seus tons convidativos.

Inúmeros foram os pensamentos que me aguçaram os sentidos cegos.

Tontura por querer te experimentar, te possuir.

Sentir o seu sabor inundando as minhas correntes.

Necessidade de saber a sua temperatura e de testar os seus relevos.

Não posso.

Mesmo que me sujeitasse ao exílio calado.

Mesmo que me entregasse à tortura viciante.

Não posso.

E de longe, eu continuo a olhar pra você.

terça-feira, agosto 14, 2007

Música (vamos falar mais sobre ela?)



Sete que eu AMO:
1- Black- Pearl Jam
2- Not enough time - INXSS
3- Do damn lucky - Dave Matthews
4- Wave- Tom Jobim
5- Imunização Racional - Tim Maia
6- Ribbon in the Sky - Steve Wonder
7- Save me - Queen

Sete que eu odeio:
1- Thank you - Dido
2- Seeds of love - Tears for Fears
3- O que é o que é - Gonzaguinha
4- Chama o Sindico - Jorge BEN (me recuso a usar Benjor)
5- Sonhos - Peninha
6- Stillness of heart - Lenny Kravitz
7- Scar Tissue - Red Hot Chilli Peppers




segunda-feira, agosto 13, 2007

Back to Front


Não, não é o disco do Lionel Richie, sou eu!
Ainda não consegui comentar no blogs de todos...Muita informação!
Hoje acordei com dor no braço de tanto jogar Wii (recomendo) e me veio: "o nosso mundo real está sendo substituido por um mundo virtual. Isso é bom ou ruim?"
A fidelidade de interpretação dos movimentos do controle remoto do Wii é impressionante! Parece MESMO que estamos jogando bowling/tennis/golf, etc. A gente se sente poderoso em ganhar, mas péssimo ao perder, mesmo SABENDO que é tudo de mentira.
Essa semana, quero ir jogar boliche de verdade, pra ver se sinto alguma diferença.
Pra ver se eu respondo a minha pergunta: "Isso é bom ou ruim?"
Baseada em nossa deliciosas conversas virtuais, fico pensando se não seria o caso de nos encontrarmos mais...O que será que isso geraria?
Aproximações prazeirosas? Ligações perigosas? Descobertas inusitadas? Ciúmes não declarados?

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“Curiosity is the very basis of education and if you tell me that curiosity killed the cat, I say only the cat died nobly.”

Arnold Edinborough

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PS: Eu não estou com mania de gatos, eu SOU com mania de gatos! ;-)
PPS: Essa foto sou eu no Bar Léo, curiosa pra saber o efeito do décimo primeiro chopp :-D

sexta-feira, agosto 10, 2007

Não consigo...

ACESSAR O BLOGSPOT!
(NÃO SUMI VOLUNTARIAMENTE)

terça-feira, agosto 07, 2007

Crazy cat lady












  • She goes to bed undressed
  • She needs to be the best
  • She loves the fridge cold food
  • She is trapped in her childhood
    Her first movements are slow
  • The time, I really don't know
  • Indeed, she couldn't care less
  • Her whole life is a mess
    The crazy cat lady is sad
  • But all people think she is mad
  • No rhythm, no pattern, nowhere
  • No beautiful words to compare
    The crazy cat lady is me
  • Simple and lame as can be
  • I have a hat and a coat
  • I have a cat and a goat
"All human evil comes from a single cause, man's inability to sit still in a room."
Blaise Pascal

Estava comendo um pote de sucrilhos (eu tenho 31 anos e AMO cereais matinais como se não houvesse amanhã) e entre um bocado e outro, pensei: preciso postar alguma coisa no EAI!
Depois eu me perdi nas pesquisas sobre prensas hidráulicas. Mais um pouco eu estava dando uma bronca no meu filho de 6 anos, porque ele estava tendo uma CRISE por não conseguir digitar "I want pizza, please" no Club Penguin.
Muitas atividades pra uma manhã que apenas começou (em paralelo, alongando os músculos do pé semi-consertado).
Eu comecei a pensar sobre a citação de Pascal e ver que ele pode ter razão.
Porque eu não consigo simplesmente ficar parada?
Porque se eu paro, eu penso. Se eu penso, eu questiono.
Então, PRECISO achar uma resposta.
O problema é que a cada nova resposta, surgem 30 novas perguntas e isso está me deixando louca!
Mesmo!
Eu sou uma louca que come sucrilhos de manhã!