sexta-feira, setembro 21, 2007

IRA



Apaga o tempo pra mim
Aniquila a história
Salga o passado
Dilacera a lembrança

Impede a descoberta
Barra a investigação
Incendeia as gavetas
Entope os acessos

Flagela a vontade
Decapita a necessidade
Esteriliza a
curiosidade
Interrompe a possibilidade

Contorce as borboletas
Limita os gafanhotos
Enterra as minhocas
Estrangula os ventos

As minhas mãos tremem
Os meus olhos se apertam
Minha boca se morde
Meu coração acelera

É o sangue que se aproxima
É o ódio de não estar fecundada
É a saudade do que não existe
É a revolta do que não será



14 comentários:

Ernesto Dias Jr. disse...

Há muitas fecundidades, no corpo e na alma de uma pessoa.
Escrever assim é uma delas.

disse...

Denso ,intenso e lindo.

MP disse...

Saudade do que não existe...

Flavio Ferrari disse...

Putz ... isso é que é TPM (Tremenda Poeta essa Mulher)

Ju disse...

Ernesto: será?
Lu: vc deve entender o que é isso, né?
Miss: nem me fale!!
Flávio: hahahaha, olha o Ludovido aí, geeente!
:-)

Walmir Lima disse...

Maravilhosa interpretação da alma e da voz da Abelha Rainha.
Intensidade, beleza e perfeita ilustração.

Walmir Lima disse...

Eu disse no Arguta: O Ludovico é Rônio o resto é Neo-rônio.

Walmir Lima disse...

Foto maravilhosa!

Anônimo disse...

"E o pulso,
ainda pulsa"

Maravilhoso!

Érica Martinez disse...

e algumas pessoas conseguem transformar TPM em poesia!
Walmir: eu comparo mais à furia da Leoa!

Anne M. Moor disse...

Wowwwwwwwwwwwwwwwwwwwwww

Udi disse...

uh! agora entendi!

Flavio Ferrari disse...

Putz ... sabia que conhecia essa cara de algum lugar ... eu adoro o Roupa Nova ... maior respeito ... comia não, comia não ...

Anônimo disse...

E o sangue se aproxima.