quinta-feira, janeiro 31, 2008

Ação-ação X ação-plano


Estava vendo "1900" e pensando: O QUE REALMENTE NOS LEVA A TER SUCESSO?
A vida toda, achei que era planejar, agir de acordo com uma meta, investir no futuro através das ações do presente, plantar pra colher...
Vi que esse papo me cansa!
No fim o sucesso está na semente, não na flor!
Não há como se criar uma planta artificialmente pra dar uma bela rosa...A rosa mais bela, nasce naturalmente de uma semente forte.
Assim, o que dá o melhor resultado:obedecer o chamado natural de "tocar o piano" ou pensar:"puxa queria tanto tocar piano bem, acho que vou fazer aulas" e passar a se dedicar a isso?
Sei que está meio abstrato, mas deixa eu ver se consigo explicar melhor...
Será possivel que uma dedicação a algo que vc julga ser bom é tão eficaz quanto ter uma inclinação natural praquilo a ponto de "se dedicar" por não ter outra opção?
Então, será que o sucesso se atinge como consequência de uma atitude que praticamos muito porque gostamos muito de praticar, ou por uma disciplina (até forçada) em prol de uma recompensa no futuro?
Será que o QUERO fazer é tão poderoso quanto o GOSTO de fazer?

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Frase da Udinha

"Viver a minha maternidade foi quase a construção da própria identidade. Não é um caminho fácil, mas é um caminho construtivo e enriquecedor da alma."

É isso! É através de como as pessoas que eu amo vivem, que eu determino se sou útil ou não nesse mundo!
Desde pequena (pequena mesmo,3 ou 4 anos) eu observo a vida demais e percebo os padrões de comportamento e os lugares nos quais eles nos levam.
Muito do que penso é mais pelo que vi, do que pelo que vivi.
Talvez por isso eu ainda dê mais importância ao que eu penso, do que ao que eu sinto. Talvez por isso eu seja tão boa de papo e não tão boa de atitudes.
Essa sua frase mais o comentário do Fi me fizeram ver que eu posso ter agido errado, coisa que eu nem cogitava antes.
Você pode imaginar que com tantas teorias pairando na minha mente 100% do tempo, não sobra muito espaço para o SE, para o QUE TAL...
E hoje, penso que eu posso ter errado na medida, na força com que as minhas mãos quiseram agarrar o destino alheio...Talvez eu não tivesse esse direito!
Mas enfim, sei disso agora que acabou, acho que faz parte do renascimento, já que como o Fi disse, hoje vejo a coisa de outra forma.
Porém só poderia ver da forma que vejo hoje, se estivesse onde estou hoje.
Foi bom! Bom perceber isso e ter esperança que a vida por si corrija os cursos necessários, proteja os ninhos e oriente as migrações...

Apresentando o Fi


Lu, esse é o Fi (Fi de Filippe). Impossível conhecer alguém mais meigo e mais maduro, mais passional e mais inteligente!
É uma mistura perfeita entre todos os opostos, um equilíbrio delicioso de se ver!
Amoroso até onde não cabe mais! Doce, com esses olhinhos azuis mais lindos desse mundo!
Inteligentésimo, que discute qualquer assunto e defende suas idéias com unhas e dentes!
Menino trabalhador, que surpreendeu a todos com sua imitação PERFEITA de Silvio Santos na festa de final de ano da empresa!
Sim, gente, além de tudo ele é engraçado!
É cabana ou hotel 5 estrelas? Tanto faz, ele está inteiro em todos os lugares, com sua alegria pueril e suas idéias de quem já viveu 100 anos (luz).
Melhor ouvinte, pra quem se pode falar qualquer coisa! Compreende as coisas sem qualquer preconceito e interpreta da forma mais linda possível!
Hoje, vejo a vida trazendo muitos presentes pra ele, todos mais que merecidos! Vejo ele feliz, pleno, entusiamado e tranquilo...O que mais posso querer?
Fi, eu te amo muito! Você é meu "anrrinho" mais querido!
"Ei, toma cuidado pra não bater a cabeça na borda da piscina, menino!"

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Instinto

Não sei se por conta dos hormônios, ou se por uma característica pessoal que jamais me abandonará, estou querendo ser mãe de filhos que não são meus (todos adultos, hein!).
Reclamo com o que está magro demais, e prometo fazer um bolo duplo de chocolate só pra ele!
Dou bronca no que bronca perto da borda da piscina, dizendo que pode bater a cabeça...
Encho o saco do que fuma maconha, descrevendo os milhares de prejuizos ao seu organismo.
Torro a paciência do que bebe demais, tentando fazê-lo entender que pode morrer ou matar alguém em um acidente de carro.
Tento abrir os olhos do cego que se deixa abusar pelos outros, tentanto enumerar suas qualidades e mostrar que nào há a necessidade de se submeter a tais coisas.
Puxo a orelha do que não se preserva ao transar, falando sobre HPV, AIDS e todas essas coisas fofas que se pode pegar.
Resumindo, eu sou uma chata!
A chatice é uma das poucas características ruins que me dá orgulho em mim mesma.
Por que?
Porque eu não me omito, porque eu prefiro brigar do que fingir que não vi, porque eu quero proteger, quero ajudar, quero previnir um mal que possa acontecer...
Infelizmente, mesmo na natureza, a mãe abandona a cria que sabe que não vai vingar...
Dói, dói imensamente, pois a sensação de perda se mistura com a de derrota!
Não dá pra acreditar no tempo perdido, não dá pra assisitir aquela criaturinha à merce da natureza selvagem...mas é isso que deve ser feito! Como sempre digo; deixar morrer o que tem que morrer.
Hoje, eu abandonei uma das minhas crias e confesso que está doendo muito!
Eu estou triste, mas sei que é isso que eu tinha que fazer!
Talvez nem devesse ter “adotado” at all, mas eu não pude resistir.
Dentro de mim, permanece a paz de ter tentado o quanto eu pude, ao lado das incertezas do que há por vir.
Que descanse em paz...
Será que eu estou errada? Será que dou a impressão de que quero ser superior? Será que o bem que quero fazer, acaba virando um mal?

Muitas perguntas, nenhuma resposta. Não aqui dentro!

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Saindo da toca

Estou quase pronta pra sair...
Mais uma semana ou duas!
Alguma das meninas de fora está aqui em SP? Lu? Anne? Angela?
Ti, Enrico está com saudades da Lu!
Flávio, depois da nossa última conversa, vc se tornou um pouco mais meu xodó, sabia?
Ernesto, pô cara, que saudades de você!
Walmir, boas lembranças ouvindo Gotan! ;-)
Udinha, fiquei sabendo que vc esteve na casa da Miss Polly! Ela te AMOU, como não poderia deixar de ser! Pena que vc não esqueceu nada aqui, pra ter desculpa pra pegar! hehe
Beijos a todos!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

LONG TIME NO SEE

Gente, eu sei!
Pensei mesmo em me despedir de todos e colocar um fim a esse blog.
Causas? As mais diversas possíveis, desde conflitos pessoas até a morte da minha querida linda amada Panda (dog) por um ataque de abelhas mutantes...
Não sei, as coisas perderam um pouco o sentido.
Contudo, estou bem, me preparando para uma nova fase.
Hoje, ainda tenho dificuldades em decidir qual o próximo passo, sendo assim não decido nada.
Isso ainda não é um adeus...
Saudades de vocês!

terça-feira, dezembro 04, 2007

Reciprocidade

Correspondência mútua.
Tem que ser quantitativa ou qualitativa?
Não sei! Mas sei que tem que existir, senão não há porquê!
Tem sido difícil escrever nesses tempos onde tudo o que me inspira pode atingir as pessoas, por isso o silêncio...Sem comentários em blogs, sem posts muito expressivos.
Mas dando início a uma nova fase, venho falar sobre o que tem me martelado: por que as relações apodrecem?
Ultimamente, tento fugir dos excessos, principalmente de intimidade, porém há pessoas que já fazem parte da sua vida e você não pode tratá-las como se as tivesse conhecido ontem!
Eu tenho o grande defeito de querer cuidar das pessoas, talvez por me achar esperta demais.
Como tudo é cíclico, vejo que essa é a atitude mais ingênua que eu posso ter.
Achar que a minha opinião é importante a ponto de mudar uma atitude de alguém é a maior prova de que eu não passo de uma sonhadora superficial.
Ora, mas eu gosto de falar e até faço escola com os meus neologismos pseudo-inteligentes, mas isso só me causa tristeza!
Por achar que estou segura sendo a "desbocada" me coloco em uma posição frágil, pois o que falo fica sendo mais importante do que o que eu sinto.
Esse meu "falo o que penso" é na verdade uma armadilha pra mim mesma!
Fazendo isso eu pareço uma fortaleza, que não se importa com o que os outros vão pensar, mas é justamente o contrário!

Isso sou eu mostrando pra o mundo que se as coisas não forem do jeito que eu acredito que devam ser, eu sofro!
É um aviso do meu limite, é um mapa do meu território é uma arma contra mim mesma que dou pra outra pessoa, que é inevitavelmente usada contra mim!
Com bons argumentos ainda: sou crítica, sou ciumenta, sou dura com as pessoas!
Hoje, eu percebi uma coisa, que me deixou mais triste ainda: eu não me importo mais...
Uma pena que as coisas tenha chegado a esse ponto, mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde chegariam (e talvez por isso tenha me debatido tanto). O que era intenso é agora opaco e sem sal...O que me fazia matutar durante as noites é a agora um pano de fundo desbotado nas minhas estórias...
É assim que as relações apodrecem: quando não há reciprocidade!
Ísso tudo é ainda triste, mas toda morte implica em um renascimento. Estou no aguardo!


quarta-feira, novembro 28, 2007

Sobre a minha felicidade

Inspirada pelo Flávio, que acha que me conheceu em uma fase complicada, resolvi escrever sobre a minha forma de ser feliz...
Lembram quando eu disse que eu era uma menina-velha?
Então, eu sou!
Por tantas coisas que eu já vivi (desde saber detalhes sórdidos da vida sentimental dos meus pais quando tinha 10 anos, passando por ver meu namorado ficar com a minha irmã e chegando na perda da minha vó querida) eu passei a ser mais séria com a vida!
E não consigo sorrir quando as coisas não estão dentro do que eu acho ser certo (entenda-se, pro bem geral da nação).
Preconceito?
Pode ser...Talvez eu chame de pós conceito, porque geralmente, quando eu conheço as pessoas eu sou aberta... Aí quando vejo que tem algo que eu já experimentei não ser bom, eu fico mais fechada.
É isso!
Mas não que eu não seja feliz! Ao contrário, eu vivo rindo e fazendo piadas (muitas delas infâmes, viu?)
Flávio, depois vc me dá seu e-mail que eu te falo porque vc não é o meu "xodó"( hahahahaha eu achei ótimo isso)
Ah, e vcs que pediram pra eu escrever besteira! Taí! Um besteirol desenfreado!

terça-feira, novembro 27, 2007

Orgulho!

Quando se ama alguém a felicidade da pessoa é a nossa felicidade!
Hoje senti como vale a pena entregar-se a uma amizade sincera e como essas pessoas se tornam parte da família!
Tenho a sorte de ter muitas pessoas assim na minha vida!
Mas hoje o destaque vai pra Miss Polly, que acabou te me dar a melhor notícia que eu poderia receber.
Resumindo: ela plantou muitas boas sementes e agora está colhendo flores perfumadas!
Querida, parabéns pelas suas conquistas!
Me sinto MUITO orgulhosa em ser sua amiga!
Você é daquelas que faz a diferença no mundo e na vida dos que estão à sua volta.
Obrigada por tudo, por todas as palavras e principalmente por estar do meu lado!
Eu amo você!
;-)

segunda-feira, novembro 26, 2007

Pra me mover tem que valer a pena...

Por isso fiquei tanto tempo sem escrever!
Alguns sentiram falta o que me foi um grande elogio! ;-)
Estava pensando no respeito que tenho por todos que lêem esse blog e no quanto isso me faz pensar antes de escrever.
(Não quero que leiam qualquer besteira que me dê na veneta).
Anfibia= estou sem a menor critividade.
Como comentei com o Ernesto, estou entre ciclos e as coisas estão mudando. Umas perdem valor, outras ganham...
Beijos a todos!
Aguardando um Genial...

segunda-feira, outubro 22, 2007

Delicia 2











Para que fique registrado que é sempre uma delícia ter vocês aqui!




Os que não estiveram fizeram falta...DE NOVO! ;-)

quinta-feira, outubro 18, 2007

Aperta o pause...

Gente, meu filho doente está consumindo todos os meus neurônios...
Estou ausente de mim mesma! Apareço offline diante do espelho!
Beijos e saudades de todos!
Até sexta!

;-)

quinta-feira, outubro 11, 2007

Wait and see what will soon become of me...

Everythings different
With my head in the clouds
I hit this corner
With my foot on the gas
I started sliding, I lose it
Everything's different just like that

quarta-feira, outubro 10, 2007

Dave Mathews & Tim Reynolds

Procurem no Youtube.
Sério!
Vale muito a pena.
Dica de música: "So damn lucky"
Eu AAAAAAAAAAAAMO!

segunda-feira, outubro 08, 2007

Delícia!

foto_mal_tirada.jpg

Nem todos estavam presentes, mas as ausências preencheram um espaço grande!

Angela, Lu, Anne, Walmir, Ortega e Jorge: VENHAM!

Ti: estou apaixonada pela Luiza...E cada dia mais, acho um prazer estar na sua companhia!

Flavio: desculpe o meu jeito tenso.

Ernesto: que delícia te ter aqui!

Udinha: você é das minhas, gata! Adoro ter vc por perto!

Gata: capotou, né?

BEEEEEEEEEEEEIJOS!


sexta-feira, outubro 05, 2007

Anfibia- Parte 5

Parte 1- Loba domesticada
Parte 2- A caça
Parte 3- Caixa de veludo
Parte 4- Caleidoscópio

Alabastro

- Quanto te devo?

- É trinta e dois...

- Tem troco? – perguntou Jamile, mostrando uma nota de cem reais.

- Ei, moça...Tá difícil, é que hoje o movimento não foi bom.

- Cobre cinqüenta e fique com o resto.

O taxista sorriu, um tanto surpreso com a generosidade da moça.

Jamile estava ansiosa para apanhar a caixa na portaria e mal deu ouvidos ao falatório do zelador, que tentava ser simpático.

O veludo vermelho carregava consigo uma imagem dolorosamente nostálgica, pois era sobra do tecido usado na confecção do vestido preferido de sua mãe.

O vestido tinha sido encomendado para a sua festa de trinta anos e Jamile ainda lembrava os dizeres do convite:

“Samira Obeid Cury convida você e sua família para um jantar de gala em comemoração ao seu aniversário”

Samira era uma mulher solitária, aprisionada pelas imposições ciumentas do marido quatorze anos mais velho. Contudo, pelo menos uma vez por ano, a casa se via enfeitada e opulenta. Todas as luzes eram acesas e a prataria era posta à mesa, ostentando parte da fortuna da família.

Havia muita gente que Jamile mal conhecia. Os homens eram altíssimos, com seus narizes vultuosos e quase sempre calvos. As mulheres mais velhas espremiam-se nos muitos sofás da casa enquanto as mais jovens dançavam e gritavam ao som dos derbakkis. As crianças corriam de um lado para o outro, mas Jamile ficava escondida embaixo da escada de mármore e nem mesmo os apelos de Ana faziam–na sair pra brincar.

- Vá, Branquinha, vá com os outros. Olha seu primo Amin! Depois só vai ver o ano que vem...-argumentava Ana.

Era justamente por isso que Jamile se escondia. Numa das festas anteriores, tinha se esbaldado de brincar com Amin e seu irmão mais velho. A esperteza dos meninos era fascinante e despertou em Jamile a vontade de tê-los sempre por perto, mas por mais que pedisse isso à mãe a resposta era sempre a mesma.

-Não, ainy, não pode! Ele não permite visitas, você sabe. Espera até o ano que vem, no aniversario da omy! Eu prometo que convido os dois.

Um ano naquela época era um tempo incomensurável e aos poucos, Jamile deixou que o vazio tomasse conta da saudade que tinha dos primos.

O elevador novamente interrompeu as lembranças da moça e por uma graça do destino estava vazio desta vez.

Revirou a bolsa a procura das chaves e deixou cair o papel onde Adric havia anotado o telefone da empresa de entregas. Sorriu ao recordar a imagem do rapaz empenhado em ajudá-la com a confusão; há tempos não ficava tão próxima de um homem como tinha estado durante as últimas horas.

Jamile estava intrigada com sua atitude cerimoniosa, com o cuidado em manter uma distância mesmo estando perto, com a delicadeza do falar apesar da concupiscência do olhar.

Sentiu como se ambos estivessem em um lugar que somente eles conheciam. Onde as regras não precisavam ser ditas para serem respeitadas. Como se somente ele pudesse ter a noção do que isso significava para ela e por isso não tentou tocá-la, nem lhe fez perguntas demais.

Lembrou do olhar profundamente triste ao falar de Elisabeta e de certa forma, orgulhou-se por também não ter feito perguntas demais.

Abriu a porta de casa, soltou a bolsa e o casado respingado de sangue e jogou-se no sofá com a caixa de veludo na mão.

-Shukrán, omy! Aná uhbbuhá!- disse como que agradecendo à mãe o presente recebido – Obrigada, omy! Eu amei!

Dentro da caixa estava a chave que resolveria grande parte dos problemas iniciados naquela manhã.

Já estava entregue a um cansaço hipnótico, mas sabia que ia acordar no meio da noite e podia imaginar qual o grau da tortura que sua mente iria impor ao seu corpo madrugada afora.

-Velho desgraçado!- gritou, esmurrando a mesa de centro.

A cena ainda era clara como se estivesse acontecendo ali, diante de seus olhos.

Sua mãe estendida no chão. O líquido vermelho avançava para as ranhuras do piso como se o vestido de veludo estivesse desbotando e tingindo o assoalho. A pele estava mais branca do que nunca, assemelhando-se a uma antiga estátua de alabastro. Os olhos fechados, a boca entreaberta. As mãos imóveis; um dos pés ainda calçava o sapato de salto fino. Jamile se aproximou. Viu o punhal cravado no peito. Tentou puxar. Nada.

-Omy? Omy?!

A mãe não reagia. Ela puxou o punhal com mais força até finalmente arrancá-lo. A mãe continuava inerte.

Olhou para trás e viu que ele tentava se esconder atrás da cortina, denunciando sua culpa como qualquer moleque débil faria.

O velho parecia temer o olhar fixo de Jamile e num desatino, correu com as mãos em direção ao seu pescoço infantil.

-Pare, senhor! Pare! Ela é só uma criança! Nem vai lembrar do que aconteceu! – suplicou Ana, escondendo a menina atrás de seu corpanzil.

Com seis anos de idade, Jamile sentiu a fragilidade da vida e desejou ter morrido no lugar da mãe.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Anfíbia - Parte 3

Parte 3 - Caixa de Veludo



Jamile, ainda confusa, aceitou que Adric a levasse até a delegacia mais próxima, querendo ver-se livre do novo distúrbio rapidamente.

O rapaz costumava racionalmente decidir a sequência dos eventos em que se envolvia, e, pela primeira vez, o acaso tirou-lhe a vontade de intervir ou planejar. Havia algo familiar naquela cena surreal, como se fosse um daqueles sonhos sem nexo, cuja explicação revela-se no final. Ainda assim, precisava de uma metáfora que lhe fizesse sentido e riu-se ao associar tudo ao jogo de video-game que jogava com a menina todas as noites. Preciso passar para a próxima fase- pensou.

- Você tem certeza de que está bem?- disse, tentando firmar conversa com a moça.

- Tenho.- disse Jamile mordendo os dedos.

- Já está tremendo menos, não?

- Um pouco. Não me incomodo com isso. Sei que passa logo.

- Você pode usar o meu telefone se quiser...

Jamile soltou um riso tímido com um tom de escárnio quase imperceptível.

Adric pode ver que ela enxugava uma lágrima com a manga do casaco.

- Ei, o seu casaco está sujo de sangue. Não quer usar o meu?

- Porque?- perguntou ela olhando para os sapatos sujos de terra- Porque vc está fazendo tudo isso?

Adric teve o impulso de dar uma daquelas respostas padrão para se levar uma mulher para a cama, mas algo o impediu. Estava surpreso por não conseguir lançar mão de sua racionalidade na presença dela.

- Não sei, acho que estou curioso pra saber como isso vai terminar.

Sentiu seu rosto ferver. Não estava acostumado a falar a verdade sobre seus sentimentos.

Felizmente a delegacia estava a menos de uma quadra e ele poderia disfarçar seu desconcerto, procurando uma vaga para estacionar o carro.

Ao perceber onde estavam, Jamile agitou-se e com certa dificuldade, soltou o cinto de segurança. Avessa às gentilezas masculinas, tratou de sair do veículo antes que Adric pudesse tentar abrir a porta para ela.

Atravessou a rua na frente, aproveitando uma brecha no trânsito infernal da Vila Madalena. Sentia o olhar dele penetrando-lhe a nuca, sendo tomada por um arrepio aflitivo e um inegável contentamento. Olhou por cima do ombro e como o rapaz já estava próximo, concluiu que poderia prosseguir.

Parecia querer esconder sua inquietação e ao entrar no prédio, Jamile revelou-se familiarizada demais com o ambiente. Olhou no relógio da parede e soltou um suspiro de alívio. Perguntou ao policial:

- Moço, sabe me dizer quem é o delegado de plantão?

- É o dotô Cury.- disse ele

- Como assim? Ainda é cedo pra ele...- interrompeu o que ia dizer ao avistar no fundo da sala um homem alto e grisalho, de sobrancelhas grossas.

A voz grave e a passada firme fizeram com que a dor de cabeça golpeasse Jamile com força. Seu coração estava arrítmico e suas pernas começavam a perder a força.

Voltou-se para Adric, mais pálida do que o normal e com os olhos assustados suplicou:

- Me leva embora daqui! Por favor, me ajuda a sair daqui!

Ofegante, deixou que ele a segurasse, quase como se fosse erguê-la do chão. Ele tentava afastar qualquer pensamento lascivo, porém não podia ignorar que os “bicos petulantes” estavam espetando-lhe o tórax. Sua boca arfante parecia ainda mais convidativa e aguçou-lhe a imaginação.

- Me leva!

- Para onde?

- Pra qualquer lugar.

De volta no carro e ainda perturbado pelos apelos travessos de sua mente, Adric rapidamente deu a partida enquanto Jamile chorava e agitadamente roía as unhas, descascando o esmalte vermelho escuro.

- Me desculpe- disse ela- Desculpe por ter cruzado o seu caminho. Eu carrego o caos no bolso! Estrago tudo!

- Ora, não foi bem o meu caminho que vc cruzou, não é? – disse sorrindo, referindo-se ao furgão do acidente. Refreou o impulso de questionar a razão da fuga desesperada.

- Viu? Estraguei o dia de duas pessoas em menos de meia hora! Que merda!

Adric observou que o palavrão não combinava com sua delicadeza, mas achou interessante a forma como ela estava se abrindo.

- Preciso pagar o estrago que fiz no carro dele! Pior que nem sei como encontrar esse homem!

- O carro era de uma empresa de entregas que eu conheço. Posso te ajudar a achar o telefone.

Sem responder, Jamile pegou o celular e aflita apertou uma tecla de discagem rápida. Adric estranhou que a moça tivesse um Blackberry, pois a julgar pelas roupas que usava e por seu Celta modelo antigo, não parecia adinheirada.

-Alô, Ana? Ana, preciso de um favor teu!...Não...Ana, para de falar e me escuta! Eu preciso que você deixe aquela caixa de veludo na minha portaria...Hoje!...Eu sei, mas agora não posso conversar. Depois eu te ligo de volta...Tá...Tchau.

Adric já havia dado algumas voltas sem saber qual rumo tomar e perguntou:

- Quer que eu te deixe em casa?

- Não, não posso ir pra casa agora, me deixa em qualquer lugar e eu me viro...

- Olha, eu tenho que passar no meu apartamento pra deixar minha mala, você quer vir comigo? É entrar e sair. Depois eu te deixo onde você quiser.

- Olha, eu mal sei o seu nome, não acho que eu deva ir com você, além do mais eu...

Parou, interrompida pelo rapaz que disse:

- Adric, Jamile...Meu nome é Adric. Agora que você já sabe, o que me diz?

- Só se você tiver um café bem forte e uma dose de Jack!- riu, como se nada ruim tivesse ocorrido até ali e quase feliz por seu nome ter sido lembrado por ele.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Espiral - a vida infinita

Vem cá, vem pular corda comigo
Não posso, eu estou de castigo
Mas foge, a gente inventa um jeito
Não dá, melhor me comportar direito

Já sei, vamos fazer "pique-nique"?
Sem chance, eles precisam que eu fique
Que chata! Então, brincar de balanço?
Vai indo na frente que eu te alcanço

Mentira, vc só diz e não vem
Já disse, eu juro que vou também
Promete? Posso ficar te esperando?
Pode, mas vá correndo que eu vou andando

Duvido. Você não brinca mais de verdade
Menina, eu cresci, já tenho o triplo da sua idade
Que pena, você parecia ser muito divertida
Você diz isso, porque não sabe nada da vida!

terça-feira, setembro 25, 2007

Anfibia (de Juliana Machado e Ernesto Dias Jr.)


Parte 1- Loba Domesticada

Já era hora de sair e Jamile não tinha vontade de levantar da cama. O despertador berrava sem parar e costumeira dor de cabeça já dava sinais de alerta.

Pensou em ligar pro trabalho e dizer que estava doente, mas já havia feito isso na semana anterior.

- Maldita vértebra virada!- exclamou, referindo-se à dor provocada pelo problema de nascença na cervical.

Minutos mais tarde, estava esperando o elevador. A maquiagem da noite anterior denunciava que, mais uma vez, ela tinha passado dos próprios limites.

Escutou a vizinha do quinto andar ralhando com a filha pequena. Os gritos apressados subiam os dois andares da escada de serviço sem dificuldade.

Sentiu pena da menina, tão pequena e já cheia de “tens que fazer isso, tens que fazer aquilo”.

- Pra quê? Pra depois crescer e ficar que nem eu?- pensou.

Ouviu o elevador chegando e desejou fortemente que ele estivesse vazio. Cruzou os dedos e franziu a testa.

Checou se a manga da camisa estava cobrindo as cicatrizes do seu braço.

Colocou um chiclete na boca na tentativa de disfarçar o mau hálito causado pela bebedeira madrugada adentro.

A porta do elevador se abriu. Lá estava a vizinha do quinto andar com a filha, que ainda limpava as lágrimas dos olhinhos miúdos.

Jamile não pode evitar olhá-la com reprovação, não apenas pela gritaria matinal, mas por ter apanhado o elevador que subia, provando ainda mais a sua ansiedade.

Sabia em qual andar estava pelo cheiro único que os apartamentos exalavam. Sorriu ao passar pelo primeiro, lembrando-se do seu amorzinho de infância, com quem trocou seu primeiro beijo.

Finalmente chegaram do segundo subsolo e o ar da garagem fez com que Jamile mascasse o chiclete com mais força. Sentia uma mistura de gosto e aversão àquele odor.

A garagem do prédio era um lugar especial, pois ao invés de paredes fechadas, tinha um guarda corpo que permitia ao vento circular livremente e a vista não poderia ser melhor.

O dia estava cinzento, mas ao entrar no carro, Jamile reparou nas árvores balançando. Gostava de ligar o rádio e coordenar o movimento das folhas com o ritmo da canção que tocava. Sua estação preferida para este momento era a de música clássica.

Sentiu-se rídicula por ter essa estação programada na memória do rádio; era como se quisesse “dar uma de” culta. Jamile odiava perceber-se tentando ser o que no fundo sabia que não era.

Quando passou pelo trilho da porta da garagem, com a boca imitou o barulho que as rodas faziam ao tocar o metal. Primeiro as da frente e depois as de trás.

Era um ritual, sem o qual não poderia começar seu dia.

No primeiro farol, parou atrás de uma SUV com os vidros escuros e sentiu seu estômago contrair-se pela impossibilidade de ver o que havia mais a frente.

A posição dos braços no volante revelava as cicatrizes e lhe trazia a lembrança pontiaguda daquele noite.

-Aargh! – disse sacudindo a cabeça.

Naquela época, Jamile desejava dormir e nunca mais acordar.

Ao deitar-se na cama, tinha vontade de bater a testa na parede até que sua cabeça se quebrasse como um ovo. Tinha a sensação de que se a gema saísse, ela teria paz finalmente.

Numa dessas noites, abriu uma garrafa de vinho ruim e começou a beber no gargalo. Não que ela não tivesse taças, mas gostava da coisa mais tosca .

Acendeu apenas a luz do corredor e sentou-se na frente do espelho do armário.

Tirou toda a roupa e começou a olhar seus contornos. Gostava do que via. Tinha um cintura fina e um quadril largo. Encheu a boca de vinho e deixou escorrer um pouco pelo pescoço, como se fosse sangue.

Jamile tinha fascinação por estórias de vampiros desde criança. Achava linda a imagem do líquido vermelho em contraste com sua pele branca.

A pouca iluminação mais a embriaguez provocavam distorções na imagem que via no espelho.

Já anestesiada, apanhou um estilete, quebrou a ponta cega e começou a arranhar o braço esquerdo. O sangue custava a sair e ela forçou a lâmina mais fundo na carne. A dor não foi maior que o contentamento de ver o vermelho profundo jorrando para fora da pele.

- “Só sentirei que estou viva, quando estiver morrendo” – concluiu engantando a primeira marcha.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Filhinha do papai, after all...

A Érica postou lá no "shee" que queria que fizessem uma música pra ela.
Compartilho com vc a letra da que o meu pai fez pra mim quando eu estava na barriga da minha mãe. Abaixo o "Ctrl C, Ctrl V" do email que ele me mandou (for the record, Nathu é a minha irmã mais nova):

Filhinha
Que bom que você ligou !.Acho que você está com a premonição do papai...ÊTA !
Aí vai a letra da sua canção. Demorei muitos anos para fazer uma canção para a Nathú, mas a sua estava pronta bem antes de você aparecer e alegrar a minha vida (e de tantas outras pessoas)

Paizão Ruizão


Tema (ou não tema) de Juliana

Juliana...
Há quanto tempo espero /pelo seu chegar
Há quanto tempo eu sonho/com o seu olhar
São noites de magia
São sonhos,fantasias
P’rá lhe esperar

Juliana...
Um sonho de criança/que me apareceu
Pedaço de esperança/que me fez mais eu
Eu canto noite e dia
De tanta alegria
Que você,me deu

Jú,Jú,Jú ,Jú.Jú.....
Juliana (aquele refrãozinho básico)

Bem maior,
Muito mais profundo,
Que o amor que existe no mundo
É o meu amor
É o meu amor
Por você....

Jú,Jú,Jú ,Jú.Jú.....
Juliana (aquele refrãozinho básico)

A vida toda eu vou lhe amar...
Juliana...
Mais do que tudo/eu vou lhe amar
Juliana....(com ah ah ah e tudo)

Um sonho de criança/que me apareceu
Pedaço de esperança/que me fez mais eu
Eu canto noite e dia
De tanta alegria
Que você...me deu....
(refrãozinho básico.../solo “blues” etcteretal)