Primeiro: eai eai eai, não é algo indecifrável, que eu coloquei pra intrigar as cabecinhas alheias...É apenas a exclamação do personagem de "Eram os deuses astronautas?". Decepção, né...Era só isso. Segundo: Esse é um espacinho onde eu compartilho minhas maluquices com as pessoas que eu gosto e aproveito para agulhar as pessoas que eu não gosto. Não sentiu a agulhada? Então é porque eu te gosto!
quarta-feira, novembro 28, 2007
Sobre a minha felicidade
Lembram quando eu disse que eu era uma menina-velha?
Então, eu sou!
Por tantas coisas que eu já vivi (desde saber detalhes sórdidos da vida sentimental dos meus pais quando tinha 10 anos, passando por ver meu namorado ficar com a minha irmã e chegando na perda da minha vó querida) eu passei a ser mais séria com a vida!
E não consigo sorrir quando as coisas não estão dentro do que eu acho ser certo (entenda-se, pro bem geral da nação).
Preconceito?
Pode ser...Talvez eu chame de pós conceito, porque geralmente, quando eu conheço as pessoas eu sou aberta... Aí quando vejo que tem algo que eu já experimentei não ser bom, eu fico mais fechada.
É isso!
Mas não que eu não seja feliz! Ao contrário, eu vivo rindo e fazendo piadas (muitas delas infâmes, viu?)
Flávio, depois vc me dá seu e-mail que eu te falo porque vc não é o meu "xodó"( hahahahaha eu achei ótimo isso)
Ah, e vcs que pediram pra eu escrever besteira! Taí! Um besteirol desenfreado!
terça-feira, novembro 27, 2007
Orgulho!
Hoje senti como vale a pena entregar-se a uma amizade sincera e como essas pessoas se tornam parte da família!
Tenho a sorte de ter muitas pessoas assim na minha vida!
Mas hoje o destaque vai pra Miss Polly, que acabou te me dar a melhor notícia que eu poderia receber.
Resumindo: ela plantou muitas boas sementes e agora está colhendo flores perfumadas!
Querida, parabéns pelas suas conquistas!
Me sinto MUITO orgulhosa em ser sua amiga!
Você é daquelas que faz a diferença no mundo e na vida dos que estão à sua volta.
Obrigada por tudo, por todas as palavras e principalmente por estar do meu lado!
Eu amo você!
;-)
segunda-feira, novembro 26, 2007
Pra me mover tem que valer a pena...
Alguns sentiram falta o que me foi um grande elogio! ;-)
Estava pensando no respeito que tenho por todos que lêem esse blog e no quanto isso me faz pensar antes de escrever.
(Não quero que leiam qualquer besteira que me dê na veneta).
Anfibia= estou sem a menor critividade.
Como comentei com o Ernesto, estou entre ciclos e as coisas estão mudando. Umas perdem valor, outras ganham...
Beijos a todos!
Aguardando um Genial...
segunda-feira, outubro 22, 2007
quinta-feira, outubro 18, 2007
Aperta o pause...
Estou ausente de mim mesma! Apareço offline diante do espelho!
Beijos e saudades de todos!
Até sexta!
;-)
quinta-feira, outubro 11, 2007
quarta-feira, outubro 10, 2007
segunda-feira, outubro 08, 2007
Delícia!
Angela, Lu, Anne, Walmir, Ortega e Jorge: VENHAM!
Ti: estou apaixonada pela Luiza...E cada dia mais, acho um prazer estar na sua companhia!
Flavio: desculpe o meu jeito tenso.
Ernesto: que delícia te ter aqui!
Udinha: você é das minhas, gata! Adoro ter vc por perto!
Gata: capotou, né?
BEEEEEEEEEEEEIJOS!
sexta-feira, outubro 05, 2007
Anfibia- Parte 5
Parte 1- Loba domesticadaParte 2- A caça
Parte 3- Caixa de veludo
Parte 4- Caleidoscópio
Alabastro
- É trinta e dois...
- Tem troco? – perguntou Jamile, mostrando uma nota de cem reais.
- Ei, moça...Tá difícil, é que hoje o movimento não foi bom.
- Cobre cinqüenta e fique com o resto.
O taxista sorriu, um tanto surpreso com a generosidade da moça.
Jamile estava ansiosa para apanhar a caixa na portaria e mal deu ouvidos ao falatório do zelador, que tentava ser simpático.
O veludo vermelho carregava consigo uma imagem dolorosamente nostálgica, pois era sobra do tecido usado na confecção do vestido preferido de sua mãe.
O vestido tinha sido encomendado para a sua festa de trinta anos e Jamile ainda lembrava os dizeres do convite:
“Samira Obeid Cury convida você e sua família para um jantar de gala em comemoração ao seu aniversário”
Samira era uma mulher solitária, aprisionada pelas imposições ciumentas do marido quatorze anos mais velho. Contudo, pelo menos uma vez por ano, a casa se via enfeitada e opulenta. Todas as luzes eram acesas e a prataria era posta à mesa, ostentando parte da fortuna da família.
Havia muita gente que Jamile mal conhecia. Os homens eram altíssimos, com seus narizes vultuosos e quase sempre calvos. As mulheres mais velhas espremiam-se nos muitos sofás da casa enquanto as mais jovens dançavam e gritavam ao som dos derbakkis. As crianças corriam de um lado para o outro, mas Jamile ficava escondida embaixo da escada de mármore e nem mesmo os apelos de Ana faziam–na sair pra brincar.
- Vá, Branquinha, vá com os outros. Olha seu primo Amin! Depois só vai ver o ano que vem...-argumentava Ana.
Era justamente por isso que Jamile se escondia. Numa das festas anteriores, tinha se esbaldado de brincar com Amin e seu irmão mais velho. A esperteza dos meninos era fascinante e despertou em Jamile a vontade de tê-los sempre por perto, mas por mais que pedisse isso à mãe a resposta era sempre a mesma.
-Não, ainy, não pode! Ele não permite visitas, você sabe. Espera até o ano que vem, no aniversario da omy! Eu prometo que convido os dois.
Um ano naquela época era um tempo incomensurável e aos poucos, Jamile deixou que o vazio tomasse conta da saudade que tinha dos primos.
O elevador novamente interrompeu as lembranças da moça e por uma graça do destino estava vazio desta vez.
Revirou a bolsa a procura das chaves e deixou cair o papel onde Adric havia anotado o telefone da empresa de entregas. Sorriu ao recordar a imagem do rapaz empenhado em ajudá-la com a confusão; há tempos não ficava tão próxima de um homem como tinha estado durante as últimas horas.
Jamile estava intrigada com sua atitude cerimoniosa, com o cuidado em manter uma distância mesmo estando perto, com a delicadeza do falar apesar da concupiscência do olhar.
Sentiu como se ambos estivessem em um lugar que somente eles conheciam. Onde as regras não precisavam ser ditas para serem respeitadas. Como se somente ele pudesse ter a noção do que isso significava para ela e por isso não tentou tocá-la, nem lhe fez perguntas demais.
Lembrou do olhar profundamente triste ao falar de Elisabeta e de certa forma, orgulhou-se por também não ter feito perguntas demais.
Abriu a porta de casa, soltou a bolsa e o casado respingado de sangue e jogou-se no sofá com a caixa de veludo na mão.
-Shukrán, omy! Aná uhbbuhá!- disse como que agradecendo à mãe o presente recebido – Obrigada, omy! Eu amei!
Dentro da caixa estava a chave que resolveria grande parte dos problemas iniciados naquela manhã.
Já estava entregue a um cansaço hipnótico, mas sabia que ia acordar no meio da noite e podia imaginar qual o grau da tortura que sua mente iria impor ao seu corpo madrugada afora.
-Velho desgraçado!- gritou, esmurrando a mesa de centro.
A cena ainda era clara como se estivesse acontecendo ali, diante de seus olhos.
Sua mãe estendida no chão. O líquido vermelho avançava para as ranhuras do piso como se o vestido de veludo estivesse desbotando e tingindo o assoalho. A pele estava mais branca do que nunca, assemelhando-se a uma antiga estátua de alabastro. Os olhos fechados, a boca entreaberta. As mãos imóveis; um dos pés ainda calçava o sapato de salto fino. Jamile se aproximou. Viu o punhal cravado no peito. Tentou puxar. Nada.
-Omy? Omy?!
A mãe não reagia. Ela puxou o punhal com mais força até finalmente arrancá-lo. A mãe continuava inerte.
Olhou para trás e viu que ele tentava se esconder atrás da cortina, denunciando sua culpa como qualquer moleque débil faria.
O velho parecia temer o olhar fixo de Jamile e num desatino, correu com as mãos em direção ao seu pescoço infantil.
-Pare, senhor! Pare! Ela é só uma criança! Nem vai lembrar do que aconteceu! – suplicou Ana, escondendo a menina atrás de seu corpanzil.
Com seis anos de idade, Jamile sentiu a fragilidade da vida e desejou ter morrido no lugar da mãe.
sexta-feira, setembro 28, 2007
Anfíbia - Parte 3

Jamile, ainda confusa, aceitou que Adric a levasse até a delegacia mais próxima, querendo ver-se livre do novo distúrbio rapidamente.
O rapaz costumava racionalmente decidir a sequência dos eventos em que se envolvia, e, pela primeira vez, o acaso tirou-lhe a vontade de intervir ou planejar. Havia algo familiar naquela cena surreal, como se fosse um daqueles sonhos sem nexo, cuja explicação revela-se no final. Ainda assim, precisava de uma metáfora que lhe fizesse sentido e riu-se ao associar tudo ao jogo de video-game que jogava com a menina todas as noites. Preciso passar para a próxima fase- pensou.
- Você tem certeza de que está bem?- disse, tentando firmar conversa com a moça.
- Tenho.- disse Jamile mordendo os dedos.
- Já está tremendo menos, não?
- Um pouco. Não me incomodo com isso. Sei que passa logo.
- Você pode usar o meu telefone se quiser...
Jamile soltou um riso tímido com um tom de escárnio quase imperceptível.
Adric pode ver que ela enxugava uma lágrima com a manga do casaco.
- Ei, o seu casaco está sujo de sangue. Não quer usar o meu?
- Porque?- perguntou ela olhando para os sapatos sujos de terra- Porque vc está fazendo tudo isso?
Adric teve o impulso de dar uma daquelas respostas padrão para se levar uma mulher para a cama, mas algo o impediu. Estava surpreso por não conseguir lançar mão de sua racionalidade na presença dela.
- Não sei, acho que estou curioso pra saber como isso vai terminar.
Sentiu seu rosto ferver. Não estava acostumado a falar a verdade sobre seus sentimentos.
Felizmente a delegacia estava a menos de uma quadra e ele poderia disfarçar seu desconcerto, procurando uma vaga para estacionar o carro.
Ao perceber onde estavam, Jamile agitou-se e com certa dificuldade, soltou o cinto de segurança. Avessa às gentilezas masculinas, tratou de sair do veículo antes que Adric pudesse tentar abrir a porta para ela.
Atravessou a rua na frente, aproveitando uma brecha no trânsito infernal da Vila Madalena. Sentia o olhar dele penetrando-lhe a nuca, sendo tomada por um arrepio aflitivo e um inegável contentamento. Olhou por cima do ombro e como o rapaz já estava próximo, concluiu que poderia prosseguir.
Parecia querer esconder sua inquietação e ao entrar no prédio, Jamile revelou-se familiarizada demais com o ambiente. Olhou no relógio da parede e soltou um suspiro de alívio. Perguntou ao policial:
- Moço, sabe me dizer quem é o delegado de plantão?
- É o dotô Cury.- disse ele
- Como assim? Ainda é cedo pra ele...- interrompeu o que ia dizer ao avistar no fundo da sala um homem alto e grisalho, de sobrancelhas grossas.
A voz grave e a passada firme fizeram com que a dor de cabeça golpeasse Jamile com força. Seu coração estava arrítmico e suas pernas começavam a perder a força.
Voltou-se para Adric, mais pálida do que o normal e com os olhos assustados suplicou:
- Me leva embora daqui! Por favor, me ajuda a sair daqui!
Ofegante, deixou que ele a segurasse, quase como se fosse erguê-la do chão. Ele tentava afastar qualquer pensamento lascivo, porém não podia ignorar que os “bicos petulantes” estavam espetando-lhe o tórax. Sua boca arfante parecia ainda mais convidativa e aguçou-lhe a imaginação.
- Me leva!
- Para onde?
- Pra qualquer lugar.
De volta no carro e ainda perturbado pelos apelos travessos de sua mente, Adric rapidamente deu a partida enquanto Jamile chorava e agitadamente roía as unhas, descascando o esmalte vermelho escuro.
- Me desculpe- disse ela- Desculpe por ter cruzado o seu caminho. Eu carrego o caos no bolso! Estrago tudo!
- Ora, não foi bem o meu caminho que vc cruzou, não é? – disse sorrindo, referindo-se ao furgão do acidente. Refreou o impulso de questionar a razão da fuga desesperada.
- Viu? Estraguei o dia de duas pessoas em menos de meia hora! Que merda!
Adric observou que o palavrão não combinava com sua delicadeza, mas achou interessante a forma como ela estava se abrindo.
- Preciso pagar o estrago que fiz no carro dele! Pior que nem sei como encontrar esse homem!
- O carro era de uma empresa de entregas que eu conheço. Posso te ajudar a achar o telefone.
Sem responder, Jamile pegou o celular e aflita apertou uma tecla de discagem rápida. Adric estranhou que a moça tivesse um Blackberry, pois a julgar pelas roupas que usava e por seu Celta modelo antigo, não parecia adinheirada.
-Alô, Ana? Ana, preciso de um favor teu!...Não...Ana, para de falar e me escuta! Eu preciso que você deixe aquela caixa de veludo na minha portaria...Hoje!...Eu sei, mas agora não posso conversar. Depois eu te ligo de volta...Tá...Tchau.
Adric já havia dado algumas voltas sem saber qual rumo tomar e perguntou:
- Quer que eu te deixe em casa?
- Não, não posso ir pra casa agora, me deixa em qualquer lugar e eu me viro...
- Olha, eu tenho que passar no meu apartamento pra deixar minha mala, você quer vir comigo? É entrar e sair. Depois eu te deixo onde você quiser.
- Olha, eu mal sei o seu nome, não acho que eu deva ir com você, além do mais eu...
Parou, interrompida pelo rapaz que disse:
- Adric, Jamile...Meu nome é Adric. Agora que você já sabe, o que me diz?
- Só se você tiver um café bem forte e uma dose de Jack!- riu, como se nada ruim tivesse ocorrido até ali e quase feliz por seu nome ter sido lembrado por ele.
quarta-feira, setembro 26, 2007
Espiral - a vida infinita
Não posso, eu estou de castigo
Mas foge, a gente inventa um jeito
Não dá, melhor me comportar direito
Já sei, vamos fazer "pique-nique"?
Sem chance, eles precisam que eu fique
Que chata! Então, brincar de balanço?
Vai indo na frente que eu te alcanço
Mentira, vc só diz e não vem
Já disse, eu juro que vou também
Promete? Posso ficar te esperando?
Pode, mas vá correndo que eu vou andando
Duvido. Você não brinca mais de verdade
Menina, eu cresci, já tenho o triplo da sua idade
Que pena, você parecia ser muito divertida
Você diz isso, porque não sabe nada da vida!
terça-feira, setembro 25, 2007
Anfibia (de Juliana Machado e Ernesto Dias Jr.)

Parte 1- Loba Domesticada
Já era hora de sair e Jamile não tinha vontade de levantar da cama. O despertador berrava sem parar e costumeira dor de cabeça já dava sinais de alerta.
Pensou em ligar pro trabalho e dizer que estava doente, mas já havia feito isso na semana anterior.
- Maldita vértebra virada!- exclamou, referindo-se à dor provocada pelo problema de nascença na cervical.
Minutos mais tarde, estava esperando o elevador. A maquiagem da noite anterior denunciava que, mais uma vez, ela tinha passado dos próprios limites.
Escutou a vizinha do quinto andar ralhando com a filha pequena. Os gritos apressados subiam os dois andares da escada de serviço sem dificuldade.
Sentiu pena da menina, tão pequena e já cheia de “tens que fazer isso, tens que fazer aquilo”.
- Pra quê? Pra depois crescer e ficar que nem eu?- pensou.
Ouviu o elevador chegando e desejou fortemente que ele estivesse vazio. Cruzou os dedos e franziu a testa.
Checou se a manga da camisa estava cobrindo as cicatrizes do seu braço.
Colocou um chiclete na boca na tentativa de disfarçar o mau hálito causado pela bebedeira madrugada adentro.
A porta do elevador se abriu. Lá estava a vizinha do quinto andar com a filha, que ainda limpava as lágrimas dos olhinhos miúdos.
Jamile não pode evitar olhá-la com reprovação, não apenas pela gritaria matinal, mas por ter apanhado o elevador que subia, provando ainda mais a sua ansiedade.
Sabia em qual andar estava pelo cheiro único que os apartamentos exalavam. Sorriu ao passar pelo primeiro, lembrando-se do seu amorzinho de infância, com quem trocou seu primeiro beijo.
Finalmente chegaram do segundo subsolo e o ar da garagem fez com que Jamile mascasse o chiclete com mais força. Sentia uma mistura de gosto e aversão àquele odor.
A garagem do prédio era um lugar especial, pois ao invés de paredes fechadas, tinha um guarda corpo que permitia ao vento circular livremente e a vista não poderia ser melhor.
O dia estava cinzento, mas ao entrar no carro, Jamile reparou nas árvores balançando. Gostava de ligar o rádio e coordenar o movimento das folhas com o ritmo da canção que tocava. Sua estação preferida para este momento era a de música clássica.
Sentiu-se rídicula por ter essa estação programada na memória do rádio; era como se quisesse “dar uma de” culta. Jamile odiava perceber-se tentando ser o que no fundo sabia que não era.
Quando passou pelo trilho da porta da garagem, com a boca imitou o barulho que as rodas faziam ao tocar o metal. Primeiro as da frente e depois as de trás.
Era um ritual, sem o qual não poderia começar seu dia.
No primeiro farol, parou atrás de uma SUV com os vidros escuros e sentiu seu estômago contrair-se pela impossibilidade de ver o que havia mais a frente.
A posição dos braços no volante revelava as cicatrizes e lhe trazia a lembrança pontiaguda daquele noite.
-Aargh! – disse sacudindo a cabeça.
Naquela época, Jamile desejava dormir e nunca mais acordar.
Ao deitar-se na cama, tinha vontade de bater a testa na parede até que sua cabeça se quebrasse como um ovo. Tinha a sensação de que se a gema saísse, ela teria paz finalmente.
Numa dessas noites, abriu uma garrafa de vinho ruim e começou a beber no gargalo. Não que ela não tivesse taças, mas gostava da coisa mais tosca .
Acendeu apenas a luz do corredor e sentou-se na frente do espelho do armário.
Tirou toda a roupa e começou a olhar seus contornos. Gostava do que via. Tinha um cintura fina e um quadril largo. Encheu a boca de vinho e deixou escorrer um pouco pelo pescoço, como se fosse sangue.
Jamile tinha fascinação por estórias de vampiros desde criança. Achava linda a imagem do líquido vermelho em contraste com sua pele branca.
A pouca iluminação mais a embriaguez provocavam distorções na imagem que via no espelho.
Já anestesiada, apanhou um estilete, quebrou a ponta cega e começou a arranhar o braço esquerdo. O sangue custava a sair e ela forçou a lâmina mais fundo na carne. A dor não foi maior que o contentamento de ver o vermelho profundo jorrando para fora da pele.
- “Só sentirei que estou viva, quando estiver morrendo” – concluiu engantando a primeira marcha.
segunda-feira, setembro 24, 2007
Filhinha do papai, after all...
Que bom que você ligou !.Acho que você está com a premonição do papai...ÊTA !
Aí vai a letra da sua canção. Demorei muitos anos para fazer uma canção para a Nathú, mas a sua estava pronta bem antes de você aparecer e alegrar a minha vida (e de tantas outras pessoas)
Paizão Ruizão
Juliana...
Há quanto tempo espero /pelo seu chegar
Há quanto tempo eu sonho/com o seu olhar
São noites de magia
São sonhos,fantasias
P’rá lhe esperar
Juliana...
Um sonho de criança/que me apareceu
Pedaço de esperança/que me fez mais eu
Eu canto noite e dia
De tanta alegria
Que você,me deu
Jú,Jú,Jú ,Jú.Jú.....
Juliana (aquele refrãozinho básico)
Bem maior,
Muito mais profundo,
Que o amor que existe no mundo
É o meu amor
É o meu amor
Por você....
Jú,Jú,Jú ,Jú.Jú.....
Juliana (aquele refrãozinho básico)
A vida toda eu vou lhe amar...
Juliana...
Mais do que tudo/eu vou lhe amar
Juliana....(com ah ah ah e tudo)
Um sonho de criança/que me apareceu
Pedaço de esperança/que me fez mais eu
Eu canto noite e dia
De tanta alegria
Que você...me deu....
(refrãozinho básico.../solo “blues” etcteretal)
sexta-feira, setembro 21, 2007
IRA

Apaga o tempo pra mim
Aniquila a história
Salga o passado
Dilacera a lembrança
Impede a descoberta
Barra a investigação
Incendeia as gavetas
Entope os acessos
Flagela a vontade
Decapita a necessidade
Esteriliza a curiosidade
Interrompe a possibilidade
Contorce as borboletas
Limita os gafanhotos
Enterra as minhocas
Estrangula os ventos
As minhas mãos tremem
Os meus olhos se apertam
Minha boca se morde
Meu coração acelera
É o sangue que se aproxima
É o ódio de não estar fecundada
É a saudade do que não existe
É a revolta do que não será
segunda-feira, setembro 17, 2007
Cabresto

Segunda-feira pontiaguda, que chega sem piedade e me demole a vontade.
Boa constrictor de ferro, que me quebra os pilares do ânimo e me contorce os caminhos de ida.
Seu veneno carrega as obrigações de fazer o que não quero e a impossibilidade de obedecer aos meu impulsos.
Em você sou cavalo encilhado, galopo miúdo a golpes de relho.
Eu, que estava prestes a romper o casulo e voar lindamente, agora tenho que ser e estar pre-maturamente.
Visto agora uma capa, uma máscara e subo no palco gasto da minha rotina.
Deixo de lado a minha canastra mágica, de retalhos e sonhos, de palavras e brilhos.
Abandono a dancinha das fadas, a amarelinha das joaninhas e entro no mundo das pedras e muros. Dispenso o meu tear de luzes e apanho a marreta pesada do comprometimento inconsciente. Dispo-me do vestido de flores sulferino e me visto com o uniforme batido, que já possui o contorno esperado.
O trotar descompromissado é substituído pela marcha compassada e metronômica.
O riso não é mais solto.
Os cabelos não são mais soltos.
Mais uma semana começa.
Menos uma semana começa.
:-(
domingo, setembro 16, 2007
Passarinho na gaiola
O Toni é meu canario.
Nasceu cativo, filho de um casalzinho que pertencia à bisavó do Enrico.
Está em casa desde 2003 e todos os dias em que eu olho pra ele, me parte o coração.
Hoje de manhã eu decidi soltá-lo. Pensei em pegar o corpinho na mão e reproduzir uma das clássicas cenas: levá-lo ao ar e soltar (a câmera focaliza o meu sorriso e depois a silhueta livre contra a luz do sol).
Não foi bem assim! Pensei que se eu fizesse isso, ele poderia se esborrachar no chão, ou ainda morrer de ataque cardíaco (tadinho). Além do que, ouvi dizer que se vc deixa a gaiola aberta ele consegue voltar pra comer.
Pensei que se a decisão de sair fosse dele, ele poderia calcular o caminho de volta caso tivesse fome ou sede.
Abri a portinha...
Fiquei olhando...
Vi o seu peitinho amarelo- ele estava tentando tomar banho no bebedor.
Eu estava comendo uma bolacha e coloquei perto dele. Ele veio comer na minha mão, abrindo as asinhas como o filhote faz com a mãe. Quase chorei!
Quando eu percebi, eu estava me despedindo dele, me preparando pra não vê-lo nunca mais.
Me deu medo de surtar de saudade, de me arrepender da decisão de deixá-lo ir embora.
Pensei em desistir, mas mantive a portinha aberta.
Tentei me convencer que seria melhor que ele morresse livre do que passasse a vida num cubículo sem nem conhecer a sensação de voar.
"Um passarinho que nunca voôu"- pensei- e essa frase resumiu tantas coisas que poderiam ser ditas por horas.
Me afastei e me escondi.
Continuei olhando e ele não saiu.
No fundo, eu queria que ele não saisse, queria que ele ficasse lá por escolha.
Mas ele não tem escolha, porque não sabe que existe um outro mundo além da gaiola. Não pode escolher porque não conhece suas opções. Não sabe nem que existem opções para ele.
Eu tinha que sair.
Olhei pra gaiola e me vi em um daqueles momentos infinitos: deixo aberta e terei uma linda história pra contar por mundo? Juro que me senti tentada a fazê-lo, mas no fim, escutei o motor do carro ligado, pronto pra partir.
Baixei a portinha da gaiola e fui embora.
E essa história não ficou tão interessante quanto poderia.
:-(
terça-feira, setembro 11, 2007
Invasão da bolha cinestésica

Conheço uma menina que está sempre de bom humor. Segunda feira, depois de feriado, eu faço de tudo pra me esconder e não ter que falar "bom diaaaa", mas a pessoa está lá sorrindo com 108 dentes expostos: "Oiiiiê!" Mano! Acho dificil dar aquele sorriso protocolado! Outra coisa: pra que eu permita que uma pessoa chegue perto de mim EU tenho que fazer o movimento de IDA. Só alguns têm passe livre na MINHA circunferência espacial (cujo diâmetro e igual ao comprimento do meus braços abertos).
Eu sei, sounds like I'm a bitch, mas não é bem assim!
Aqueles que são "de casa" sabem que eu economizo abraços pra distribuir em dobro pras pessoas que eu amo.
Eu sou casca dura, mas no fundo sou "pudim desmaiado".
A pessoa só tem que me esperar chegar!
:-)
quinta-feira, setembro 06, 2007
Fútil

Há 15 anos, ele era o cara!
Pitizudo, ruivo e recessivo!
Bad teeth, but great voice!
Hoje eu senti um ímpeto de quebrar um telefone de neon na cabeça da minha aluna de 7 anos!
Ai, lembrei do Axl!
Com sua bermudinha agarrada e as coxas brancas com joelho de Jesus Cristo.
(Sorry, Jesus... É que eu me amarro em um "érrezinho érrezinho")
Axl é o Jesus do espelho...
DROPS:
Desconstrução: da realidade conhecida
Pergunta: o que eu estou fazendo aqui?
Desejo: gelo na garganta!
Wishlist: uma bola de gladiador e um tampão de ouvido (hermético) - ah, make it two!
Adereço: um chicote (não o Chico, meu gato, o chicote mesmo)
Nos pés: sapatos de bobona de instituição
Nas mãos: papel higiênico molhado pra jogar no teto
Nos cabelos: uma borboleta azul holográfica
Nas orelhas: conchas do mar (com bicho dentro)
Perfume: carbureteira de caverna
Gosto: Eno
Som: alarme de bateria acabando
Música: Lithium - Nirvana Vestimenta: bagism
Cabelos: molhados e até o pé
Eu sei, isso não faz sentido, mas o quebra-cabeça aqui tá misturado com o de lá!
I like it - I'm not gonna crack
I miss you - I'm not gonna crack
I love you - I'm not gonna crack
I killed you - I'm not gonna crack

