
Sua armadura é polida, pra desviar o olhar dos espaços que sobram desprotegidos.
Em seu peito um espelho, que reflete o rosto de quem olha, com a incrível propriedade de fazer com que se veja o que se quer. Hipnotiza a razão, já casada de guerra.
"ENGANE-ME, CAVALEIRO, QUE EU QUERO ME VER EM VOCÊ", diz a donzela do cais.
Ele é o rei dos piões, magnetizando os desavisados com sua força centrípeta!
Ele gira ao contrário, ele não sai do lugar. Uma tentativa admirável de simular um buraco negro, e quem sabe voltar a ter 20 e poucos?
Depois de um dia de aventuras em fog, esculpindo dragões nas nuvens, ele se deita em sua cama de flores, acreditando que o espaço vazio ao seu lado é o que lhe dá a forma que tem.
Uma ode ao eco!
Um espetáculo de artifícios, pra captar o intencionalmente destraído.
"MINTA PRA MIM, CAVALEIRO, QUE EU TE RECOMPENSO COM MINHA CRENÇA CEGA"
Não é preciso haver verdade, é preciso haver necessidade de acreditar.
Resgate-me de meu próprio absurdo, faça-me acreditar que sou sã...Em retorno, desabotôo meu verbo em elogios auto-colantes que te farão sentir Alexandre!
Salva-me das minhas garras afiadas, protege-me da verdade que sangra!
"TROTE AO MEU REDOR, CAVALEIRO, PRA QUE A POEIRA ME CEGUE A MENTE E O RETRUCAR DOS CASCOS ME ENSURDEÇA A ALMA"
15 comentários:
Ode ao eco...
...conseguiu captar muito bem a essência deste cavaleiro que adora o som da própria voz.
E será que o cavaleiro que acha que tem o poder de salvar e a donzela que finge estar salva, realmente acreditam nesse show pirotécnico?
Temos que lembrar que a donzela mora no cais, o que a faz mais "safa(da)" do que a maioria das Rapunzéis que eu conheço!
Né não?
Linda e poética digressão sobre percepções.
E se me permite uma sugestão, o espelho do Cavaleiro poderia refletir não o que "se quer ver", mas o que "de melhor se pode vir a ser".
De resto, torço para que nossos comentaristas aceitem o convite implícito para discussão sobre "verdades e mentiras", sobre "percepção e realidade".
ps - tenho uma escultura do Don Quixote (o original) na minha varanda. Presente de mamãe, provavelmente não por acaso.
Flávio! Verdade? Então, talvez a minha percepçcão não seja assim tão distinta da verdade! Isso quer dizer que vc tem simpatia pela figura do Sancho Pança?
:~^
Quanto aos comentaristas, não posso responder por eles, afinal tb escrevem percepções(sobre percepções).
Agora o reflexo no espelho, temo não concordar...Acho que que no fundo o cavaleiro não é tão altruísta assim. Se bem que todo extremo encerra o seu oposto. Precisamos conversar mais a respeito!
Tropel
No cais um cavaleiro
a resgatar donzelas?
Espelho, espelho meu,
por que verdade velas
Se em vez de um dragão
e sua goela
busco rasgar somente
o que um colant revela?
No cais um cavaleiro
a cortejar donzelas?
Enquanto o corcel domo
(e enche-se o cinzeiro)
Os olhos que refletem
meus olhos de rapina
Leito de flor prometem.
Não mentir como?
No cais um cavaleiro
a conquistar donzelas?
Não vale do teu corpo uma propina.
É uma mentira.
Pô ... tinha feito um comentário enorme sobre altruísmo hoje à tarde... sumiu !?!
Tentando reconstruir ...
Pessoalmente não acredito que uma pessoa sã ajude alguém sem esperar nada em troca.
Isso não significa que a pessoa ajudada tenha que dar algo de sí.
O benefício pode vir da ação em si mesmo, seja em função das crenças (ser uma pessoa melhor, alcançar a iluminação ou a salvação), das necessidades (reconhecimento) das neuroses (superioridade, controle, autoridade, expiação de culpa, submissão) e quetais.
Para o budismo, altruísmo é dar-se ou beneficiar alguém em troca dos mesmos prazeres.
Isso é uma relação humana saudável.
Ernesto: lendo-te, reafirmo a minha crença de que a poesia depois dos 50 é mais sábia ...
..mas menos, digamos, potente.
tento seguir o sábio ensinamento sobre calar... mas ainda resta, cá dentro, um pouco daquela que "pensa" que é: aquela que "gosta" de opinar. Então vou dar espaço a este meu lado-ilusão:
Ju e FF: a cada comentário vosso, entendo melhor o amor que sinto por cada um de vocês - 2 lindos!
:) *
(* copyright devidamente creditado ...risos!)
(licença prá elogiar o poeta?)
Ernesto: eu diria (por inferência) que a potência é a mesma, apenas a forma de expressão é outra.
(parece até que nunca deitou num divã nem conhece o conceito de sublimação!)
Dizer a verdade com arte.
Revelar-se com beleza.
Coragem e maestria!
Pr� poucos.
Udinha, minha linda...O meu copyright só vale pras pessoas que tentam ser o que não são...Definitivamente esse não é o seu caso, afinal vc é NATURALMENTE maravilhosa!
Lu: que bom vc por aqui! Quando aparece de verdade?
Udi: eu não confiaria muito nessa história da forma de expressão ser outra...
FF: apenas afirmei que aquela forma é uma alternativa, não penso que tenha substituído qualquer outra.
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