segunda-feira, novembro 30, 2009

Quando a gente já pode tudo o que pode



chega no título antes do texto
titulo-texto
texto-que-pode
neste instante eu confio e deixo o titulo falar por mim
e eu escrevo, tentando esquecer o apelo de me fazer entender pelos outros
tentando ignorar a vontade de me fazer importante pro outro
tentando reaprender a fazer a diabrura que não conhece repreensão, que não pode ser punida por ser nova e não medida, não classificada, não encaixada, não avaliada
LAMBIDA DE GATO NA CARA!

sexta-feira, novembro 27, 2009

os medos que temos dos medos que temos



Outro dia conheci uma moça.
Ela me disse:
"Minha filha tem um ano e fala tudo. Tenho medo que ela seja discriminada por ser precoce".
Falou pra mim que tem medo, pra que eu acreditasse que ela não sente orgulho do que vê...Pra que eu não a invejasse, já que sabia que eu tenho uma filha da mesma idade e que não fala NADA. 
Finge que tem medo do que tem orgulho, porque tem medo da inveja.
E eu sei que ela tem orgulho.
E eu não sinto inveja.
Tenho MEDO de que ela pense que eu sinto INVEJA.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Aprovar


A gente faz que não, mas faz que faz pra ser recompensada...
Evita olhar, mas quer que quer saber se passou (percebida).
Mas a resposta não vem.
Um pena, ou uma maneira do mundo almejado mostrar que você não pertencerá a ele enquanto almejá-lo? Enquanto necessitar do seu aval?
Avaliar é tudo o que esse mundo não quer, pelo menos não para te "dar uma nota".
Estar fora é exatamente onde ele não pode estar para te convidar a entrar.
Deve estar dentro, misturado, costurado a você...A mim, neste caso.
Será que está?
Seja o que tiver que ser.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Na escola, na vida...



Conforto conforma 
Controle deforma
Comando enforma

Garantir é ficar, garantia IA
Analisar é passar pelo cu, não pelo pensamento
Rotular é girar sem sair do lugar, não avançar
Classificar é convocar (grupos), aniquilar o poder de ser (único, unívoco)

Avaliar é estabelecer valia do que é imensurável, é MENTIR
Proteger é cobrir, esconder
Desproteger é descobrir, revelar, mostrar, dar (-se)


Educamos o outro porque somos frágeis demais pra ter uma relação imprevisível.
Queremos garantias e métodos, organização e caixas-conteúdo, pra que possamos justificar e validar a nossa"capacidade"(potencial para conter, acomodar ou guardar algo; espaço ocupado; volume).

Agora eu sou um espaço vazio de coisas e cheio de luzes, de cheiros e de formas permeáveis.
Agora eu sou um espaço
Agora eu sou
Agora!

terça-feira, novembro 10, 2009

Ser velha enquanto jovem, jovem enquanto velha


O ritmo do pulso se confunde com o tremor subterâneo

Os dentes amarelados com poder cortante da navalha
Mãos de rosetas, garras de madeira, palmas de pântano
Cabelos de alga marinha, pelos de musgo, pele de foca

Grito tribal, silêncio de mata, canto de floresta
Empurra-me velha cirandeira, empurra-me penhasco adentro!
Dilacera meu casco para que eu possa sentir com a fragilidade da criança
Descalcifica minha mente para que eu possa enxergar debaixo das aguas e por cima das montanhas
Enterra-me por séculos para que eu possa criar raizes e florescer ainda que me cortem por completo
Enforca-me até a morte para que eu possa nascer novamente de verdade
Usa teu colar de pedras para me benzer
Unta meu corpo com lama para me proteger
Cospe nos meus olhos, batuca em meus ouvidos e denrola a minha lingua com seus dedos deformados
No lugar de belas meias, coloca-me ataduras
No lugar de belos vestidos, cobre-me com um manto pesado
Trança meus cabelos e os enrola cabeça acima
Me salva! Engravida de mim e me dá à luz uma vez mais

terça-feira, outubro 20, 2009

Silêncio




Pela primeira vez a quantidade de motivos e motivações para escrever se transformam em necessidade de manter o branco do papel.
Funambulo com medo do palhaço.
Gaguejo, por colocar senões em tudo.
Mato a crença. No instante e somente nele.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Começo do fim

Alguns dizem que esse modelo de educação que se aplica hoje é fruto do pensamento capitalista.
Eu fico pensando: E DE ONDE VEIO O PENSAMENTO CAPITALISTA?
Acho que quando o homem tinha que caçar pra sobreviver, vivia inquieto, já que a fome é uma sensação horrível.
Graças à capacidade de raciocinar, o homo sapiens (sei lá se era esse, mas enfim...) percebeu que fome era desconforto, e associou uma coisa ruim à mesma, consequentemente rotulando a saciedade de boa.


Sacou também, que era possivel ter mais o bom do que o ruim, se conseguisse estar saciado sempre.
Para isso, tinha que ter comida disponível e portanto, não podia se contentar com a possibilidade de acerto/erro. TINHA QUE ACERTAR.
Só que 100% de acertos é impossível. Não havia como prever se a caçada seria bem sucedida. Veio o medo de errar, de falhar...

E aí começou a merda.
Dotado do raciocininho lindo, o primata desenvolveu técnicas pra ter comida à vontade, sem ter que caçar, sem ter que contar com o acaso (acerto/erro).
Ele "dominou" a natureza, pelo menos no aspecto que mais o afligia.
Este homem deu um duro pra ser mais que o natural, pra ter e manter.
O coitado que não tinha a "inteligência" pra tal manobra, não podia desfrutar das mesmas possibilidades e via seu amiguinho todo garantido, e ele tendo que padecer a tortura da caça ao acaso.
E o primeiro, que tinha se esforçado pra se poder ficar sussa, não ia repartir seus privilégios com quem não tinha suado a camisa com ele... Claro que não.
Você que se foda, essa cenoura é minha, mano!
O coitado, além de faminto,  tinha que ver seu ex-amigo, (que sentava ao seu lado na fogueira e enfiava o nariz na mesma barrigada que ele) negando uma perninha de grilho só pra forrar o estômago.
Ai eu pergunto: que espécie de manobra é essa que garante a comida e o bem estar, mas ao mesmo tempo cria um medo de ficar SEM e uma indiferença ao outro?
Como é possivel chamar isso de inteligência?
Como achar que viver em harmonia com a natureza e seus acasos é pior do que uma sensação falsa de controle e de propriedade?

Esse é o homem: o mesmo que caga na água que bebe!

sexta-feira, setembro 25, 2009

Hora do chá

O que vc prefere?
Ira e luxúria ou compreensão e afeto?
Tapa na cara e beijo na boca ou afago e beijo na testa?
Me vejo tocando uma guitarra com a lingua e pronta pra atacar um qualquer...
Me vejo fazendo chapinha e passando gloss cor de boca com glitter...
Me vejo maluca, vestida de rosinha!
Me vejo como sou, um relâmpago na mão e um carneirinho na outra.
Intenso ter que conviver comigo, não vale a pena pra todos.

terça-feira, setembro 15, 2009

Casse-tête


Na minha opinião a questão não é fazer, mas acreditar que a ação não terá reação (aka consequência). Mesmo a mais desmedida atitude pode (e deve) ser pensada, mesmo que o objetivo seja a autodestruição.
Respeito!
Eu mesma sou megaloautodestrutiva (era mais, antes da "floux").
Pule no precipício, mas não se esqueça de prender bem o elástico!
Lambuze-se de vida, mas não se esqueça de que HÁ amanhã (às vezes, seria bom se não houvesse).
Não se esqueça...Acho que é isso!
Tenha em mente que o passo te leva a um lugar diferente.
"É o fim da vida como a conhece".
O caminho é animal, mas se você está inteiro pra desfrutar.
Íntegridade, paz e "respec".
Falô!


sexta-feira, setembro 11, 2009

Parelelo


Algumas pessoas são como Orquídeas:

Apresentam muitíssimas e variadas formas.

Usam as outras árvores somente como apoio para buscar luz, alimentando-se do material em decomposição que delas cai.

Encontram muitas formas de reprodução e são poucos os casos em que se encontrou utilidade comercial para as elas além do uso ornamental.






segunda-feira, junho 15, 2009

Antecipa, meu amor, antecipa!


O forno pra escultura
O fermento pro bolo

O papel pra poesia

A gasolina pro caminho
A intenção fica suspensa no entre...

A idéia permanece etérea!

E o concreto?

Precisa do cimento e da areia, então:

DEVANEÊMOS ENQUANTO HÁ CÉREBRO!

segunda-feira, maio 11, 2009

O Duplo "Jota"


Vivo a me enxergar de fora, analisando todos os sentimentos, passos, intenções...
Não há espaço para a casualidade.
Não há brecha para a consequência não planejada.
Cálculos de probabilidade em cada palavra emitida, gráficos mentais medindo cada ação praticada.
Sem querer...Querendo!
Sou o cavalo e o cocheiro, uma espécie de dogwalker de mim mesma.
Essa coleira apertada tem a função ilusória mais convincente possível: se quero me ver conduzindo, posso esquecer que estou sendo arrastada por ela...Se quero me ver arrastando, posso ignorar o fato de estar presa pelo pescoço...
Mas não por muito tempo, subindo um patamar em um movimento espiral e multiplicativo, analiso inclusive o fato de estar me analisando...
Como diria Alborghetti: "EU TÔ LOUCO??? EU NÃO TÔ LOUCO"
(vou moer uma mesa com um cacetete e brb!)


terça-feira, abril 07, 2009

370!


Este é o numero de dias que fiquei sem postar aqui!
Um retiro, um resguardo...Quase um tiro guardado!

Um truque, um trocadilho...Quase um trem no trilho!
Tantas coisas mudaram... O que era grande ficou pequeno e o que era pequeno está crescendo e colocando plugues de tomada na boca, usando apenas um pé de meia!

Este espaço ainda me pertence?
Terá sido tomado pelo vazio implacável e silencioso?

(olhando pelo buraco da fechadura, lembro dos dentes do hipopótamo que enfeitava a sala em 79)



Tateando, tateando...

quarta-feira, abril 02, 2008

PEACE


No fundo é tudo uma questão de refluxo...
Vai ficar tudo bem!

YOU'RE MY DOUBLE SHADOW


A parte primitiva de mim!
Sem evolução, sem discernimento, obedece ao instinto.

Movida a sensações viscerais, não filtradas pelo intelecto.

É o que me faz intensa e inpensadamente verdadeira.

Bruta e sem polimento.

Essa sou eu, ou pelo menos 50% de mim.

Respeito a minha sombra, pois é por ela que sei onde está iluminado e aproveito pra tomar decisões mais esclarecidas.

Ela reage ao sofrimento dos que eu amo, protege o atacado e ataca o agressor...
Ela é capaz de me fazer desistir de tudo sem medo, baseada na certeza de que se não está bom é porque está ruim.
Simples! Óbvio, mas só a sombra admite que vê.



segunda-feira, março 31, 2008

Fefiz Aniversário!

Sim, FEFIZ com "F" mesmo!
Assim dizia a frase confeitada pela vovó no nosso bolo de aniversário (meu de 10 anos e dela de 53 - somos gêmeas de anos diferentes)!
Rendeu-nos boas risadas e uma piada que carregamos desde então!
Hoje, 22 anos depois, é a primeira vez que canto UM "parabéns pra você" só, já que a outra aniversariante não está mais aqui!
Triste, fico bem triste com isso! Acho que a saudade é a pior coisa, ainda mais quando não se pode matá-la!
Enfim, em contrapartida recebi telefonemas e posts carinhosos da Miss, da Aline, da Fe, da Rita, da minha mãe...Um abracito apertado do marido e dois presente pra lá de originais do filho (um porta anel com um camafeu e um sapo de madeira de coaxa com um reco-reco nas costas- AMEI)
Então é isso! FEFIZ ANIVERSÁRIO PRA MIM!
:-)

sexta-feira, março 28, 2008

Una mujer (Udinha, obrigada pela música)


Arriscando um espanhol tosco e uma montagem de Picasa mais tosca ainda, ei-la:

La mujer
Que al amor no se asoma
No merece
Llamarse mujer
Es cual flor
Que no esparce
Su aroma
Como un leño
Que no sabe arder

La pasión
Tiene un mágico idioma
Que con besos
Se debe aprender
Puesto que una mujer
Que no sabe querer
No merece llamarse
Mujer

Una mujer
Debe ser
Soñadora, coqueta
Y ardiente
Debe darse al amor
Con frenético ardor
Para ser
Una mujer

Yo viví
Como en sombras, dormida
Sin sentir la mas leve
Emoción
Una vez
Me dijeron, querida
Y esa voz
Mi letargo quebró
Ahora quiero
Y me aferró a la vida
Ahora mi alma comienza
A nacer
Puesto que una mujer
Que no sabe querer
No merece llamarse
Mujer

quinta-feira, março 27, 2008

Era, fui, sou, serei

Era uma vez uma menina-sereia
Cabelos compridos, dançava na areia
Era uma vez uma menina curiosa
Trocava de roupa e se olhava vaidosa

Fui uma vez uma menina-moleca
Uma hora era a corda, a outra, a boneca
Fui uma vez uma menina-atrevida
Com fome de ser a pequena sabida

Sou uma vez uma mãe de menino
Amor infinito, amor de destino
Sou uma vez uma mãe por completo
Meu filho é meu eu predileto

Serei uma vez mãe de menina
Amor delicado, cor de bailarina
Serei uma vez mãe cor-de-rosa
Lacinho, fitinha, filhinha mimosa

Serei duas vezes mãe orgulhosa
Do filho brilhante, da filha manhosa
Serei duas vezes mãe encantada
Com o filho sensível e a filha esperada


quarta-feira, março 26, 2008

Vida Adulta


Segurar os cavalos selvagens da mente impetuosa
Prever os declives, preparar-se para a montanha
Guardar o vigor para a fome e ter fome de viço
Reservar-se; saber-se árbitro de seu próprio caminho

Equilibrar as escolhas, manipular os instintos
Saber como andar sob a água e mover-se no espinho
Aprender a evitar-se largado, entregue na beira da vida
Entender que somente o que há dentro, sustenta o que é visto de fora

Intimidade, funil da possibilidade
Intimidade, responder por sua vontade
Intimidade, distancia-se dela o covarde
Intimidade, você com você de verdade



Trilha de Jamile e Adric


quinta-feira, março 20, 2008

Ah, esse Veríssimo...VERÍSSIMO!!!


DAR NÃO É FAZER AMOR...
Luis Fernando Veríssimo


Dar não é fazer amor. Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar..
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro. Dar é bom, na hora. Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.
Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.

É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar: "Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.
Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar.
Experimente ser amado...