terça-feira, novembro 10, 2009

Ser velha enquanto jovem, jovem enquanto velha


O ritmo do pulso se confunde com o tremor subterâneo

Os dentes amarelados com poder cortante da navalha
Mãos de rosetas, garras de madeira, palmas de pântano
Cabelos de alga marinha, pelos de musgo, pele de foca

Grito tribal, silêncio de mata, canto de floresta
Empurra-me velha cirandeira, empurra-me penhasco adentro!
Dilacera meu casco para que eu possa sentir com a fragilidade da criança
Descalcifica minha mente para que eu possa enxergar debaixo das aguas e por cima das montanhas
Enterra-me por séculos para que eu possa criar raizes e florescer ainda que me cortem por completo
Enforca-me até a morte para que eu possa nascer novamente de verdade
Usa teu colar de pedras para me benzer
Unta meu corpo com lama para me proteger
Cospe nos meus olhos, batuca em meus ouvidos e denrola a minha lingua com seus dedos deformados
No lugar de belas meias, coloca-me ataduras
No lugar de belos vestidos, cobre-me com um manto pesado
Trança meus cabelos e os enrola cabeça acima
Me salva! Engravida de mim e me dá à luz uma vez mais

Um comentário:

Bárbara Semerene disse...

Nossa, seus posts estão cada vez mais profundos. Nesse, me lembrei do último filme do Lars Von Trier, Anticristo. Vc assistiu? É repugnantemente bom!