segunda-feira, agosto 27, 2007

TER


Hoje, tenho muitas coisas que eu sempre quis. No entanto, não vivo em êxtase como achei que ia viver. A minha "wishlist" tem vários itens checados, porém a sensação não é correspondente com a expectativa que criei.
Então:
SERIA EU UMA PESSOA MAL AGRADECIDA QUE NÃO DÁ VALOR PRA O QUE TEM? TERIA EU ALGUM PROBLEMA EM DESFRUTAR DO PRAZER DE TER, POR MEDO DE PERDER E SOFRER?
Essas eram as perguntas que martelavam o meu cabeção (cabeção de Sandy).
Eram, porque eu desenvolvi uma teoria a respeito. Vejam se faz sentido:
A diferença que faz vc TER alguma coisa é simplesmente NÃO QUERER MAIS TÊ-LA (porque já tem).
Não há mais a necessidade de almejar, de conquistar e assim, é uma "preocupação" a menos. É menos uma "necessidade de".
Só que isso não tem nada de glamuroso, ao contrário, só torna as coisas mais calmas, mais monótonas talvez.
E mais uma vez me vem: ENJOY THE RIDE!

12 comentários:

Anne M. Moor disse...

A tesão é o 'querer'... Qdo conseguimos algo, sempre terá outra coisa pra querer... Tem um poema do Louis Untermeyer que termina assim:
From compromise and things half-done,
Keep me, with stern and stubborn pride,
And when, at last, the fight is won,
God, keep me still unsatisfied.

Bárbara Semerene disse...

Outro filósofo (não lembro qual) disse que mais importante do que alcançar as metas é o prazer de caminhar até chegar lá. Só que no percurso a gente nunca percebe isso!

Ernesto Dias Jr. disse...

A lógica é cristalina: só se pode desejar o que não se tem (apud meu amigo Ortega)
Mas deixa te dizer uma coisa: quando a gente é muito jovem -- como você -- a vida passa em baixa resolução. A gente não enxerga aqueles pixels pequenininhos que compõem the big picture.
Quando a gente fica mais velho -- como eu -- o tempo passa mais devagar, a paisagem se resolve em pequenos detalhes interessantes.
E aí a gente passa a gozar -- como disse a Barbara -- cada pedrinha do caminho.
Quanto a conquistar coisas, talvez você conheça aquela do sujeito que, sem conseguir atingir o cume do Everest daquela vez chegou ao sopé, olhou para a montanha e disse:
-- tudo bem. Dessa vez você venceu. Mas eu vou crescer e voltar. E você estará aí, ainda do mesmo tamanho...

Flavio Ferrari disse...

Outro dia postei isso no Prozac:

Que me satisfaça o mundo
E que a insatisfação
Se renove a cada segundo

Érica Martinez disse...

o que não pode é parar de querer quando alguns itens da sua listinha tiverem sido riscados.
é a curiosidade e a ambição (a boa ambição, né?) que nos movem, sem isso, ficamos ultrapassados.

Ju disse...

Ai, gente, estou semi em crise com isso!
E sabe o que é o pior? eu nem me sinto assim "jovem"como o Ernesto falou (e nem acho que ele seja velho, pelo contrário!).
Sei lá...
O negócio é beber pra esquecer!
(to brincando)

MP disse...

Quando tive a minha primeira "paixão", com uns 15 anos, ficava pensando no carinha, em como seria estar com ele, que namoro lindo que seria, e bla bla bla. E quando aconteceu? Nem curti. Pelo menos nem tanto. E senti falta dos momentos em que ficava só imaginando... Louco? Nem tanto...
E foi por isso, que passei a curtir tudo, mesmo sem saber se iria ou não ter o que tanto desejava...
É isso que vocÊ falou: ENJOY THE RIDE...

MP disse...

E outra história, só que bem trágica:
Conheci um cara que com 18 anos se matou, porque tinha tudo o que queria. Sério isso.
Ele era namorado de uma amiga muito querida, e estava falando no telefone com ela, dizendo que já tinha tudo e não tinha mais perspectiva nenhuma. Pirou no meio do papo. E se jogou da janela, no meio da conversa.
Tipo, ficou sem perspectiva e não parou para pensar que a vida é muito mais do que completar uma lista pequena de desejos. Que nós, temos que fazer muitas listas de desejo. Hoje em dia, a então namorada dele, vive muito feliz e seguindo a vida dela pensando em nunca se acomodar. Que pena que ele não fez o mesmo.

Érica Martinez disse...

polley!
que horror!

Ju disse...

Nossa...Nem sei o que falar depois disso!

Érica Martinez disse...

é... sabe aquele seu post com as fotos da terra, do brasil, de são paulo e tal? pooooooois é.

Walmir Lima disse...

Vivo querendo viver e ter porque viver - meu 'moto contínuo'!