segunda-feira, dezembro 13, 2010

Carta pra o meu "eu do futuro"


Quem é você que se diz "eu"?
Quem sou o "eu" que quer ser você? 
Que tipo de "você" eu quero ser quando te for? 
Quero ser um "eu" admirável, para que os outros também queiram ser o "você" que eu serei.
Mas o "eu" que sou, não tem meios pra isso...
O "eu" que eu sou teme ser um "você insustentável", assim como sou eu agora.
Insuportavelmente partido entre o ser "eu" e o querer não ser o "eu" que sou.
Eu sou e não sou o "eu" que te agrada, que te apaixona.
Eu não sou e sou o "eu" que te repulsa e que te machuca.
Eu não sou "eu", mas nada mais que isso é o que sou.
Dividida e vazando a vida que você tenta soprar em mim...
Sou uma bóia no meio do oceano e me ofereço pra salvar a tua vida!!
Sou uma bóia furada, golpeada de facas auto direcionadas...
Você me sopra, se gasta comigo, mas eu volto a ser murcha, esburacada que sou.
O buraco que não se conserta como se consertam os buracos outros.
O buraco que me faz inútil, já que sou bóia e bóia eu quero ser!
E bóia querem que eu seja, por achar que eu sou inteira.
Um inteira parcial, que é o que se revela...que é com o que se sabe lidar!
Mas sigo esvaindo toda e qualquer seiva que no "eu" penetra.
Não penetra...Não fica...Não nutre...Não sustenta!
Porque sai, vai embora como areia entre os dedos, como água no ralo...
Quando sai, vai levando o "eu" junto, aos poucos uma erosão do ser que sou (e passo a não ser a cada instante).
Independente do que eu faça... Sem se importar com o que eu penso...Sem recompensar ao que me dedico...
O "eu" está cansado, ansioso por ser "você"!
Tento não ver que "você" só será o que o "eu" permitir.
Este "eu" que não se sabe, que não se emenda e que se dobra sobre si, pra tapar os vazios do que gostaria de ser.
Condenação assinada antes da sentença.
Independente do que eu faça... Sem se importar com o que eu penso...Sem recompensar ao que me dedico...


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