quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Nem toda feiticeira é corcunda...

Pela capacidade de mediocrizar o sentimento
Banalizar a certeza e adiar a hora certa
Pintar de cinza pra não destoar
Pesquisar estampas pra combinar

Quero meu batom vermelho
Meu cabelo desarrumado
Minha saia azul e minha blusa transparente
Quero não ter culpa de ser o que sou

Quero não culpar aquele que é o que é
Quero não achar isso bom, correto!
Quero não rimar e ainda fazer poesia
Quero ser livre das linhas guia

Quais são os limites pra se ser aceito?
O que morre em mim pra que eu caiba direito?
O que sobra em mim que me faz imperfeito?
É pensar no fim, antes de sentir o sujeito...

Sem pretensão de receber recompensa
Deixar que o sentimento SEJA (sem edições)
Sem preocupação com o depois-resultado
Obedecendo apenas o apelo imediato

Reproduzir com linguagem
O que se produz antes dela
O que nasce antes de nascer
E que não morre, mesmo se morrer




6 comentários:

Ernesto Dias Jr. disse...

Huummm.... Seus motores finalmente resolveram esquentar não foi?
Sabia que dá pra fazer um interessante contraponto a esse teu texto?...

Udi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Udi disse...

Percebo claramente um fio condutor que me leva desde o primeiro post (após a grande ausência) até este poema.
Muita reflexão tua prá nos presentear com esses versos maravilhosos, não apenas pela força poética mas também porque fui testemunha de como você foi em busca e os construiu (obrigada por este privilégio!)

"Sem pretensão de receber recompensa
Deixar que o sentimento seja (sem edições)
Sem preocupação com o depois-resultado
Obedecendo apenas o apelo imediato"

disse...

E nem toda brasileira é só bunda né Jú.
Eis a prova.
Muito legal!
Bjo.

Ju disse...

Gente, eu estou saudosa!

Bárbara Semerene disse...

Sem palavras, só suspiros depois de ler sua poesia.